Quem é Haakon, novo rei que assume o trono da Noruega após morte do pai
Haakon é o filho mais novo de Harald V e Sonja e terá de consolidar o apoio popular à família real após polêmicas recentes
Aos 53 anos, Haakon assumiu o trono da Noruega como rei Haakon VIII após a morte de seu pai, Harald V. Bem preparado acadêmica e militarmente, o novo monarca tem o desafio de estabilizar a monarquia e recuperar o apoio popular após escândalos recentes envolvendo sua esposa, Mette-Marit, seu enteado e sua irmã, Märtha Louise. Sua filha, a princesa Ingrid Alexandra, torna-se a nova herdeira direta de uma monarquia que, embora simbólica, busca manter sua relevância e prestígio no país.
O príncipe herdeiro da Noruega, Haakon, de 53 anos, assumiu o trono e tornou-se o rei Haakon VIII na madrugada desta sexta-feira, 28, após a morte de seu pai, o rei Harald V, aos 89 anos.
Entre os desafios do novo monarca estão a estabilização da monarquia do país e a recuperação da popularidade da família real após polêmicas recentes, incluindo o contato de sua esposa, Mette-Marit, com o criminoso sexual Jeffrey Epstein, e a condenação do filho dela, Marius Borg Høiby, por estupro.
Haakon é o filho mais novo do rei Harald e da rainha Sonja, que também são pais da princesa Märtha Louise, de 55 anos. Como o filho homem mais velho, tornou-se herdeiro do trono quando seu avô, o rei Olav, faleceu em 1991.
A Constituição da Noruega foi alterada em 1990 para permitir que os primogênitos, independentemente do sexo, tivessem prioridade na linha de sucessão. No entanto, a alteração não foi aplicada retroativamente.
Quando era criança, Haakon sonhava em ter uma loja de brinquedos, mas logo percebeu que seu caminho já estava traçado e que um dia se tornaria rei. Praticante de surfe, esqui e outros esportes, o novo monarca disse, em entrevista à emissora norueguesa NRK, que, se não fosse da realeza, teria seguido carreira como surfista.
Haakon é graduado em Ciências Políticas pela Universidade da Califórnia em Berkeley e mestre em Estudos de Desenvolvimento pela Escola de Economia e Ciência Política de Londres, com especialização em comércio internacional e África. Em 1995, formou-se na Academia Naval Real da Noruega e também concluiu o programa de formação de diplomatas do Ministério das Relações Exteriores.
Casamento com Mette-Marit
Amante da música, Haakon frequentou festivais por toda a Europa quando jovem. Em um desses eventos, conheceu Mette-Marit, na Noruega, em 1999.
Desde o início, sabia que o relacionamento enfrentaria uma batalha árdua para ser aceito. Ela havia sido vista em festas onde drogas ilegais eram consumidas, era mãe solteira, e o pai de seu filho havia sido condenado à prisão por posse de cocaína.
Em entrevista à NRK em maio de 2000, Haakon afirmou que, no início da década de 1990, "uma cultura jovem surgiu em Oslo" e reconheceu que Mette-Marit era "parte ativa desse ambiente na época".
Apesar disso, Haakon obteve a permissão de seu pai, que também havia se casado com uma plebeia, para se casar com Mette-Marit. Eles se casaram em agosto de 2001 na Catedral de Oslo. Nos anos seguintes, a popularidade do casal disparou com a combinação de simplicidade e elegância.
O casal tem dois filhos: Ingrid Alexandra, de 22 anos - que, após a morte do avô, tornou-se princesa herdeira e sucessora do trono -, e Sverre Magnus, de 20 anos. Haakon também é padrasto de Høiby, que não tem título real.
Em 2018, o Palácio Real informou que Mette-Marit havia sido diagnosticada com uma forma rara de fibrose pulmonar crônica, o que a obrigava a se afastar ocasionalmente de suas funções oficiais.
A doença incurável dificultava cada vez mais a respiração, causando tosse seca, fadiga, perda de peso e de apetite. Ela recebeu um transplante de pulmão em junho.
Os críticos de Märtha Louise, que escreveu livros nos quais afirma ter contato com anjos, também a culpam pelos problemas de reputação da família. Ela foi casada por 14 anos e, após se divorciar, casou-se novamente em 2024 com o americano Durek Verrett, que se descreve como xamã e curandeiro em seu site.
Em 2022, a princesa anunciou que não representaria mais oficialmente a Casa Real da Noruega, após "muitas perguntas" relacionadas ao seu papel e ao de Verrett. Uma das tarefas do novo rei será consolidar o apoio popular à família real. Embora a maioria da população ainda a apoie, essa proporção diminuiu nos últimos anos.
Uma pesquisa publicada pelo jornal norueguês Dagbladet no final de 2022 mostrou que 68% dos entrevistados queriam manter a monarquia. Em 2017, quando a NRK fez a mesma pergunta, o apoio à Casa Real era de 81%.
A monarquia norueguesa tem raízes antigas, remontando ao rei Harald Cabelo Belo, no século IX. Quando a Noruega reconquistou sua independência da Suécia em 1905, três quartos dos eleitores em um plebiscito nacional aprovaram a restauração da monarquia.
Hoje, o papel é em grande parte simbólico, já que o poder reside em um parlamento eleito, mas a família real norueguesa mantém o status de celebridade e um papel importante na promoção da rica nação ao redor do mundo./Com informações da AP
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