Alemanha identifica suspeitos de tentativa de ataque em Leipzig; UE ameaça ampliar sanções à Rússia
A polícia alemã identificou o DNA de dois homens portadores de passaportes russos suspeitos de participar da tentativa de ataque ao Aeroporto de Leipzig, segundo reportagens publicadas por três veículos de comunicação alemães nesta quarta-feira (2). Enquanto isso, a União Europeia estuda aumentar a pressão sobre a Rússia por meio de novas sanções.
A Alemanha identificou dois suspeitos com passaportes russos envolvidos em uma tentativa de ataque com drones e explosivos contra o Aeroporto de Leipzig, centro logístico militar estratégico para a Otan. A ação foi classificada como terrorismo patrocinado pelo Estado por autoridades da União Europeia, que agora ameaçam ampliar as sanções econômicas contra o setor militar da Rússia. O caso acirrou as tensões com Moscou, que rebateu as acusações e convocou o encarregado de negócios alemão.
De acordo com o jornal Süddeutsche Zeitung (SZ) e as emissoras públicas regionais NDR e WDR, o primeiro suspeito é um cidadão bielorrusso que também possui passaporte russo. Ele teria entrado no Espaço Schengen usando um visto de turista italiano emitido em Minsk.
Segundo os três veículos de comunicação, esse homem já havia chamado a atenção das autoridades por infrações cometidas nos países bálticos.
Questionado em Wicklow, na Irlanda, à margem de uma reunião com seus homólogos da União Europeia, sobre a emissão do visto, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, prometeu realizar "todas as verificações necessárias", mas ressaltou que "se não houver alertas sobre os indivíduos em questão, o visto é concedido".
O segundo suspeito teria passaportes letão e russo, de acordo com a NDR e a WDR, e nasceu na Rússia, detalha o SZ. Ele teria atuado como coordenador logístico e instrutor do ataque. De acordo com as mesmas fontes, o homem chegou à Alemanha pelo Aeroporto de Berlim no fim de julho e alugou um carro para viajar até a região de Leipzig, no leste do país, antes de deixar o território alemão dois dias antes do suposto ataque.
Segundo a imprensa alemã, os dois homens foram identificados por meio de vestígios de DNA coletados por peritos forenses nas imediações do aeroporto: em um drone, em uma lata contendo explosivos e em uma antena fixada a uma árvore.
Bancos de dados europeus permitiram estabelecer correspondências na Lituânia e na Finlândia, informação corroborada por agências de inteligência, segundo esses veículos de comunicação.
Sanções europeias
We will keep weakening Russia's economy with our sanctions.
We will keep supporting Ukraine, including with European air defence and PAC-3 Patriot systems.
We will work closer than ever with NATO.
And deter anyone who attacks our freedom and security. pic.twitter.com/C7Yy7cLKPk
— Ursula von der Leyen (@vonderleyen) September 2, 2026
Também nesta quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenou o que classificou como crescente "imprudência" da Rússia e denunciou a mais recente escalada em solo europeu.
"Foi um ataque realizado com equipamento militar por agentes russos em território da UE", disse ela a repórteres em Bruxelas. "A Europa e a Otan não vão apenas manter a pressão sobre a Rússia. Vamos intensificá-la e não cessaremos nossos esforços", enfatizou.
Durante uma reunião ministerial em Wicklow, na Irlanda, a Alta Representante da UE para Assuntos Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, afirmou que o ataque frustrado em Leipzig/Halle apresentava "todas as características de terrorismo patrocinado pelo Estado".
Ela também indicou que a UE decidiria sobre sanções direcionadas ao complexo industrial-militar da Rússia.
Russia bombed civilians at record levels this summer.
Yet Russians continued to enter and enjoy the hospitality of European countries.
It should not work this way.
There was broad support today among Foreign Ministers to move with an EU visa entry ban for Russian ex-combatants… pic.twitter.com/lwoN1WIk4y
— Kaja Kallas (@kajakallas) September 2, 2026
Entenda o caso
Na terça-feira (1º), a Alemanha anunciou medidas de retaliação contra a Rússia, acusando-a de enviar um drone carregado de explosivos ao Aeroporto de Leipzig no início de agosto. O local é um centro logístico militar considerado vital tanto para as Forças Armadas alemãs quanto para a Otan.
O drone foi encontrado na área segura de operações de carga, próximo a várias aeronaves ucranianas.
Segundo a imprensa alemã, outro drone, também com vestígios de substâncias explosivas, foi encontrado posteriormente nas proximidades do aeroporto.
A Chancelaria alemã informou que Friedrich Merz conversou por telefone com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sobre o "ataque híbrido" em Leipzig e assegurou o "apoio civil e militar contínuo e firme" da Alemanha.
Por sua vez, após quatro anos e meio de conflito que transformaram a Ucrânia em uma das principais referências mundiais em guerra com drones, Kiev declarou estar "pronta para ajudar" a Alemanha com sua "expertise" e "experiência", afirmou Zelensky na rede social X.
Enquanto isso, na terça-feira, o presidente Vladimir Putin criticou o que chamou de "novo erro grosseiro" da Alemanha, que se tornou o principal financiador da Ucrânia. Autoridades diplomáticas russas anunciaram nesta quarta-feira que convocaram o encarregado de negócios alemão em Moscou.
A Alemanha registrou dois casos suspeitos de sabotagem em um intervalo de 24 horas: um em uma subestação elétrica na Renânia do Norte-Vestfália e outro, na terça-feira, em Brandemburgo, onde linhas de transmissão foram danificadas.
Com agências
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