Incêndios no sul da França avançam; nova onda de calor pode piorar situação
O incêndio que atinge o sul da França voltou a se intensificar nesta quinta-feira (2) após já ter consumido cerca de 900 hectares na região. O fogo, que começou no fim da tarde de quarta-feira (1º) nos departamentos de Aude e Hérault, está sendo impulsionado pelos ventos, segundo a prefeitura da região.
Quatro aviões Canadair, dois helicópteros de combate a incêndios, uma aeronave Dash e centenas de bombeiros foram mobilizados para conter o avanço das chamas. As condições climáticas são desfavoráveis, e as rajadas de vento chegam a 70 km/h.
"O incêndio teve uma forte retomada no início da tarde" e "casas estão ameaçadas", informaram os serviços de emergência ao primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, que chegou a Marselha para acompanhar a situação no centro de comando da zona de defesa e segurança do sul do país.
"Em comparação com outros anos, esperamos uma situação difícil", resumiu Jean-Yves Noisette, chefe do Estado-Maior da zona de defesa sul, observando que os incêndios avançam muito rapidamente. Nas colinas da cidade de Pouzols-Minervois, ao norte de Narbonne, árvores foram tomadas pelas chamas. Durante a manhã, vários Canadair e um avião Milan sobrevoaram a área.
O fogo chegou a poucos metros da casa de Laurent Brossault, 61, que mora na periferia de Pouzols-Minervois. Ele voltou ao local nesta quinta-feira para verificar os danos. "Eu pensava que encontraria minha casa destruída pelo fogo", afirmou, aliviado. "É incrível termos sido poupados. Os bombeiros fizeram um trabalho extraordinário." Em frente à sua residência, a colina que domina a cidade, pontuada por turbinas eólicas, estava completamente carbonizada.
Um incêndio também foi registrado na tarde desta quinta-feira (2) perto de Perpignan, provocando a evacuação de campings nas cidades de Canet-en-Roussillon e Sainte-Marie-la-Mer e mobilizando mais de 200 bombeiros, informou a prefeitura do departamento dos Pireneus Orientais.
Cerca de 500 ocupantes de dois campings em Canet-en-Roussillon foram retirados do local e levados para uma praia, onde foi organizado um transporte marítimo para um centro de acolhimento. Além disso, 250 campistas foram evacuados de outro camping em Sainte-Marie-la-Mer e encaminhados ao salão municipal da cidade.
Funcionários do porto de Canet, assim como 250 empregados de uma empresa fabricante de catamarãs, também foram evacuados. Até o momento, segundo a prefeitura, não há registro de feridos. Mais de 200 bombeiros foram mobilizados, com o apoio de 35 veículos, um avião-tanque Dash e um helicóptero de combate a incêndios.
Seca excepcional
Após uma breve reunião sobre a temporada de incêndios, Lecornu deve comandar uma célula de crise dedicada à onda de calor e aos incêndios. Ele reunirá, por videoconferência, vários ministros, entre eles os responsáveis pelas pastas do Interior, da Transição Ecológica e da Saúde.
O governo enfrenta pressão crescente, especialmente de deputados ecologistas, que apresentaram nesta quinta-feira uma moção de censura contra o gabinete. Eles acusam o Executivo de ter agravado as vulnerabilidades do país diante das mudanças climáticas e dos episódios de calor extremo da semana passada.
A França poderá enfrentar, a partir deste fim de semana, sua terceira onda de calor em poucas semanas. Seis departamentos da faixa mediterrânea estão sob risco muito elevado de incêndios florestais. Especialistas alertam que esses fenômenos tendem a se tornar mais frequentes devido às mudanças climáticas.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, citou uma "seca excepcional", "condições meteorológicas particularmente desfavoráveis" e rajadas que podem atingir 60 km/h no interior e até 90 km/h no litoral. Ele advertiu que "o dia de hoje e os próximos dias serão particularmente difíceis".
"Longas horas de combate"
Cerca de 50 quilômetros ao norte de Marselha, dois incêndios iniciados na quarta-feira foram controlados após "longas horas de combate", anunciaram os bombeiros do departamento de Bouches-du-Rhône.
O incêndio na região de Rognac, já estabilizado, consumiu 50 hectares. Nos arredores de Lançon-Provence, outro foco atingiu 260 hectares. Embora as áreas residenciais tenham sido preservadas, a floresta e as colinas vizinhas foram "devastadas", lamentou a prefeita de Lançon-Provence, Julie Arias.
Ela anunciou vigilância reforçada por 48 horas após a identificação de três novos focos de incêndio nesta quinta-feira na área afetada. "As brasas continuam incandescentes, faz calor e venta muito", resumiu.
O representante do Estado francês na região Provence-Alpes-Côte d'Azur, Jacques Witkowski, destacou a atuação de dois Canadair, que realizaram 32 lançamentos de água sobre o incêndio de Lançon na manhã desta quinta-feira, antes de serem substituídos por um helicóptero pesado Puma.
"Este incêndio é muito difícil e particularmente impressionante. Ontem ele queimou 200 hectares em menos de uma hora, principalmente porque os ventos alcançavam cerca de 90 km/h", afirmou.
Com agências
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.