Imigração: França registra aumento de títulos de residência, mas regularizações caem 10% em 2025
Mais autorizações de residência, menos regularizações e uma leve queda nos pedidos de asilo: o governo francês divulgou nesta terça‑feira (27) os números da imigração em 2025. As novas estatísticas devem alimentar um debate público cada vez mais polarizado sobre a questão, a pouco mais de um ano da próxima eleição presidencial no país.
A França concedeu 384.230 novos títulos de residência no ano passado (376.364 excluindo britânicos), um aumento de 11% em relação ao ano anterior. Os principais requerentes são marroquinos (36.100) e argelinos (28.000).
Ao todo, em 31 de dezembro de 2025, a França contabilizou 4,47 milhões de títulos de residência válidos: um aumento de 3,2% em um ano.
A exemplo de 2024, os estudantes dominam os pedidos (118.000), seguidos pelos documentos concedidos por razões humanitárias (92.600), que saltaram 65%, segundo os dados divulgados pela Direção-Geral dos Estrangeiros na França (DGEF). Já as autorizações de residência por motivos econômicos (51.190) recuaram 13%.
"Temos um mercado de trabalho que talvez atraia um pouco menos a população estrangeira", tanto em termos de contratações quanto de salários, nos quais "a dinâmica desapareceu em 2025", explicou Guillaume Mordant, chefe do departamento estatístico da DGEF.
Na rede social X, Jordan Bardella, líder do partido de extrema direita Reunião Nacional, denunciou "um recorde absoluto de títulos de residência durante o governo Macron". Segund ele, "nada melhor do que a verdade dos números para revelar a mentira dos discursos".
Regularizações baixaram
O número de regularizações caiu 10%, com um total de 28.610 estrangeiros regularizados no ano passado em solo francês. Segundo a DGEF, a queda se deve a motivos econômicos (-11,5%) e familiares (-6,4%).
"Há o impacto da circular de [Bruno] Retailleau, que buscava lembrar o caráter excepcional dessas regularizações e endurecer suas condições", explicou Mordant, referindo-se à iniciativa defendida pelo então ministro do Interior francês, que entrou em vigor em janeiro de 2025.
A circular orientou as prefeituras a restringirem as regularizações de estrangeiros em situação ilegal. A duração de permanência recomendada para conceder um título de residência a um trabalhador sem documentos foi assim ampliada para sete anos de presença na França, contra cinco anteriormente.
Esses números são divulgados no momento em que o governo espanhol se prepara para adotar um plano de regularização de imigrantes sem documentos que pode beneficiar 500 mil pessoas, com o objetivo de apoiar o crescimento econômico do país.
Aumento de prisões e expulsões
O número de detenções de estrangeiros em situação irregular aumentou 30% no ano passado, afetando especialmente argelinos (+52%), tunisianos (+33%) e marroquinos (+19%). As expulsões, por sua vez, cresceram 15,7%, com 24.985 estrangeiros enviados de volta a seus países de origem.
No campo do asilo, houve uma leve queda de 3,7% em 2025, com 151.665 pedidos - uma tendência "em baixa pelo segundo ano consecutivo", segundo Mordant. Os principais países de origem dos solicitantes foram Ucrânia, República Democrática do Congo e Afeganistão (cada um com cerca de 11.500 pedidos).
Também foi registrada uma diminuição no número de pessoas que adquiriram a nacionalidade francesa (-6,8%). Segundo o DGEF, o fenômeno se explica por uma circular, que entrou em vigor em maio, endurecendo as condições de concessão.
Seis em cada dez pessoas que obtiveram o passaporte francês são originários da África, especialmente do Marrocos, Argélia e Tunísia.
Com AFP