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Ilha Giglio começa a sofrer com poluição causada por naufrágio

26 jan 2012 - 11h08
(atualizado às 11h14)
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A pequena ilha italiana de Giglio começou a ser poluída por resíduos dos destroços do cruzeiro Costa Concórdia, naufragado no dia 13 de janeiro, e cuja retirada constitui "uma tarefa monumental", de acordo com a companhia proprietária.

Embarcações de resgate trabalham próximo ao navio Costa Concordia, perto da ilha de Giglio, no sul da Itália
Embarcações de resgate trabalham próximo ao navio Costa Concordia, perto da ilha de Giglio, no sul da Itália
Foto: AP

Conheça o cruzeiro de luxo que naufragou na Itália

Mapa mostra os piores naufrágios em cem anos

O instituto de proteção ambiental da Toscana relevou que já existe uma concentração de 2 a 3 mg/l de surfactante (uma substância presente em detergentes) na água do mar. Normalmente esta presença é nula.

Este paraíso marinho está agora com um nível de surfactantes parecido ao de portos industriais, como Marghera perto de Veneza.

"A situação ainda é controlável, mas perigosa para uma área que vive do turismo e da pesca", explicou à AFP Gaetano Benedetto, porta-voz do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) da Itália.

Segundo ele, trata-se de uma "poluição concentrada e pontual". "Não podemos nos alarmar, mas precisamos prestar atenção", disse.

O que preocupa é o destino dos poluentes que envenenam: "fluido da bateria, retardadores de chama altamente poluentes, solventes, óleos..."

"Não dispomos de nenhuma avaliação precisa", lamentou e questionou: "qual é o tempo necessário para retirar o navio naufragado?".

O investigador responsável pelo caso, Franco Gabrielli, lembrou na quarta-feira que, apesar de sua demanda, a companhia proprietária do navio ainda não apresentou um plano de recuperação de resíduos.

Contudo, o PDG da Costa Cruzeiros, Per Luigi Foschi, caracterizou de "tarefa monumental a retirada do navio naufragado e um trabalho de grande complexidade". Declarações pouco otimistas.

Além disso, o bombeamento de combustível dos reservatórios ainda não começou.

"Se vazar para o mar estas 2.380 toneladas de combustível denso e viscoso poderá causar um impacto não apenas em Giglio, mas em todo o arquipélago da Toscana (onde estão 7 ilhas) e em toda a região costeira", alerta Angelo Gentili, da Legambiente, uma das principais associações italianas de defesa do meio ambiente.

"Os melhores especialistas mundiais estão aqui, mas existe a possibilidade de uma piora nas condições meteorológicas e de incidentes que podem impedir a recuperação total do combustível durante o bombeamento, que deve começar no sábado", afirmou.

Benedetto, contudo, afirma que neste domínio, "a técnica utilizada já foi experimentada: medidas de segurança foram testadas, o bombeamento pode ser interrompido caso o tempo piore... Portanto, este é um método de gestão comprovado".

Este processo terá um tempo limitado, deve durar apenas de "20 a 30 dias", por causa dos vários perigos, acrescentou.

"A ilha de Giglio possui um ecossistema marinho e terrestre único", observou. "Na fase atual, não há um risco para a saúde, mas para o turismo: em caso de vazamento no mar, haverá um forte impacto negativo."

Naufrágio do Costa Concordia
O cruzeiro Costa Concordia naufragou na sexta-feira, dia 13 de janeiro, após colidir em uma rocha nas proximidades da ilha de Giglio, na costa italiana da Toscana. Mais de 4,2 mil pessoas estavam a bordo. Até terça, dia 24, 16 mortes haviam sido confirmadas. Ainda há desaparecidos, e prosseguem os trabalhos de busca. O Itamaraty informou que 57 brasileiros estavam a bordo do navio, mas nenhum deles está entre as pessoas não encontradas.

O navio, que tem 290 metros de comprimento e 114,5 mil toneladas, margeava a ilha de Giglio quando houve a colisão. Houve pânico e reclamações de despreparo da tripulação. O comandante do Costa Concordia, Francesco Schettino, foi acusado de ter abandonado o navio. Ele disse que estava no comando, mas um áudio divulgado para a imprensa, em que há uma discussão entre ele e a Guarda Costeira, indica que o capitão já estava na costa no momento do resgate.

Veja no mapa o local onde aconteceu o acidente:

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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