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Guerra comercial de Trump prejudica estabilidade econômica no mundo, alerta FMI

"A incerteza causada pela política comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representa um fardo significativo para a economia global e deve ser eliminada o mais rápido possível, para o bem de todos". A afirmação foi feita nesta terça-feira (22) pelo economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Pierre-Olivier Gourinchas.

22 abr 2025 - 12h35
(atualizado às 14h17)
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"A incerteza causada pela política comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representa um fardo significativo para a economia global e deve ser eliminada o mais rápido possível, para o bem de todos". A afirmação foi feita nesta terça-feira (22) pelo economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Pierre-Olivier Gourinchas.

O presidente americano, Donald Trump, em foto de arquivo.
O presidente americano, Donald Trump, em foto de arquivo.
Foto: © Evelyn Hockstein / Reuters / RFI

"Os direitos aduaneiros pesam no crescimento global, mas a incerteza sobre como a política comercial poderá ser no futuro, daqui a uma semana, um mês ou seis meses, também está pesando muito", insistiu Pierre-Olivier Gourinchas.

O FMI atualizou o World Economic Outlook (Panorama Econômico Mundial, em tradução livre) nesta terça-feira (22) com revisões significativas no crescimento global e na maioria das economias, refletindo as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos e as retaliações dos parceiros comerciais.

Além de um imposto mínimo de 10% sobre boa parte dos produtos que entram nos Estados Unidos, Trump impôs 145% sobre mercadorias produzidas na China, além dos impostos que existiam antes de seu mandato, bem como 25% sobre vários setores de atividade consideradas essenciais para a segurança nacional. Isso sem contar que, no caso de veículos elétricos, o percentual chega a 245 pontos.

"Se você é uma multinacional, hoje não sabe onde obter seus suprimentos, para quais mercados expandir… tudo está em compasso de espera. Trazer estabilidade, clareza e previsibilidade de volta ao sistema comercial é extremamente importante", disse o economista-chefe do FMI. "A desaceleração econômica pode levar a tensões internas, particularmente a países com margem fiscal limitada", completou.

Corrigir o desequilíbrio

"Há uma crise financeira em vários países e a redução de ajuda oficial dificulta ainda mais a situação. Nesse contexto, estas nações terão de considerar quais gastos priorizar, mobilizar novas receitas e antecipar a reestruturação de suas dívidas, tanto externas quanto internas", detalhou Pierre-Olivier Gourinchas.

Para o economista-chefe do FMI, os Estados deveriam se concentrar em políticas para resolver desequilíbrios internos. No caso da China, segundo ele, envolve reorientar a economia para o consumo interno; o que seria "bom para o país e, portanto, para o mundo".

"A economia chinesa tem tido uma demanda fraca há algum tempo, devido à crise no setor imobiliário e a uma economia voltada para a produção", opinou o economista-chefe do Fundo.

Revisões necessárias

Para os Estados Unidos, o FMI revisou a sua previsão de crescimento para baixo em quase um ponto percentual em relação a janeiro de 2024, com o bônus de um "aumento significativo da inflação", que pode chegar a 3%. Inicialmente se esperava que esta previsão retornasse à meta de longo prazo de 2% definida pelo Federal Reserve.

Já para a China, o FMI também reduziu a previsão de crescimento, que agora é de 4%, índice muito abaixo da meta estabelecida por Pequim em meio a um crescente conflito comercial com Washington. Este percentual seria o menor desde 1990.

As duas maiores potências mundiais estão envolvidas em um impasse comercial e o resultado é incerto. De um lado, os 145% de Washington; do outro, os 125% de Pequim.

O relatório do FMI aponta que a China foi afetada "desproporcionalmente" pelas novas tarifas americanas, em um contexto em que a confiança do consumidor chinês "ainda não se recuperou desde a sua queda no início de 2022".

Longe do crescimento de dois dígitos

Há anos, a China enfrenta um declínio do consumo interno e o endividamento excessivo de suas autoridades locais, particularmente ligados a uma crise de longo prazo no setor imobiliário. Essas dificuldades internas distanciaram definitivamente o país asiático das taxas de crescimento de dois dígitos registradas até a década de 2010. O cenário só não é pior porque as exportações chinesas atingiram um volume recorde no ano passado.

Este pilar de crescimento está agora ameaçado pela intensificação das tensões comerciais com Washington, que pretende corrigir seu déficit comercial com a China. Devido a essa incerteza, o FMI revisou a sua previsão para o crescimento chinês em 2026 para abaixo dos 4,5% da previsão anterior.

Antes da tarifa de três casas percentuais

O crescimento do PIB da China superou as previsões dos analistas no primeiro trimestre do ano, subindo 5,4% em relação ao ano anterior. Os economistas atribuíram esse desempenho a uma aceleração nas entregas antes que as tarifas norte-americanas entrassem em vigor.

Hoje, a realidade é que a China é afetada pelos aumentos de tarifas dos Estados Unidos - atualmente suspensos por 90 dias -, assim como outros países asiáticos: 24% para o Japão, 26% para a Índia, 25% para a Coreia do Sul, 36% para a Tailândia, 32% para Taiwan e 46% para o Vietnã.

Como resultado, o FMI reduziu a sua previsão de crescimento para 2025 para as economias emergentes asiáticas em 0,6 ponto percentual. Após uma desaceleração acentuada em 2024, o crescimento cairá para 4,5% este ano, antes de atingir 4,6% no próximo ano.

Impacto limitado na Europa

"A crescente incerteza e as novas tarifas também pesarão sobre o crescimento da zona do euro em 2025, mas o FMI confia que a União Europeia (UE) será menos afetada do que outras regiões do mundo", aponta o relatório Panorama Econômico Mundial, do FMI.

Apesar de ter dito nos últimos dias que espera um acordo comercial com a União Europeia, o presidente Donald Trump já impôs tarifas punitivas sobre aço, alumínio e automóveis, além de uma sobretaxa de 10% sobre a maioria dos produtos exportados pela UE.

Economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas disse que a Alemanha não apresentará crescimento em 2025. A instituição revisou a sua previsão para baixo em 0,3 pontos em comparação ao índice previsto em janeiro para a maior economia da zona do euro, que passou os dois últimos anos em recessão.

Para a França, a expectativa é um crescimento de 0,6% em 2025, com queda de 0,2 ponto em relação à previsão de janeiro.

O Banco Central Europeu (BCE) já observou que a perspectiva de crescimento na zona do euro se deteriorou devido à intensificação das tensões comerciais.

Exceção entre os principais países desenvolvidos e emergentes, a Espanha, além da Rússia, é o único país cuja previsão de crescimento aumentou. O FMI espera que o crescimento espanhol atinja 2,5% em 2025, impulsionado pelas atividades de reconstrução lançadas após grandes enchentes e pelo forte impulso no ano passado.

Já a inflação da zona do euro desacelerou para 2,2% em março, dando ao BCE a capacidade de cortar taxas de juros, o que apoia a atividade econômica.

(Com AFP)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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