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Groenlândia: 'Qualquer ataque à soberania de um país aliado terá consequências inéditas', avisa Macron

O presidente francês Emmanuel Macron não mediu palavras nesta quarta-feira (14) ao reagir às declarações de Donald Trump sobre a Groenlândia e advertiu que qualquer violação da soberania de um país europeu e aliado provocaria consequências inéditas, alertando para riscos graves à estabilidade internacional. Macron afirmou que a França acompanha a situação com atenção e garantiu solidariedade total à Dinamarca, diante de ameaças consideradas irresponsáveis.

14 jan 2026 - 11h31
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"Se a soberania de um país europeu e aliado fosse violada, as consequências seriam inéditas", afirmou Macron, segundo declarações transmitidas à imprensa pela porta-voz do governo francês, Maud Bregeon. Ele acrescentou que "a França inscreverá sua ação em total solidariedade com a Dinamarca e com o respeito à sua soberania".

Uma vista do porto de Nuuk, na Groenlândia, enquanto a França anuncia planos de abrir um consulado na ilha do Ártico, em meio ao aumento das tensões provocadas por declarações do presidente norte-americano Donald Trump sobre o futuro do território.
Uma vista do porto de Nuuk, na Groenlândia, enquanto a França anuncia planos de abrir um consulado na ilha do Ártico, em meio ao aumento das tensões provocadas por declarações do presidente norte-americano Donald Trump sobre o futuro do território.
Foto: AFP - ODD ANDERSEN / RFI

Donald Trump vem manifestando há semanas seu interesse na Groenlândia, um território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca. Para o presidente norte-americano, a ilha tem posição estratégica, é rica em minerais e seria vital para a segurança dos Estados Unidos. Ele sustenta que Washington deveria assumir o controle do território para impedir que Rússia ou China o ocupem.

Nesta quarta-feira (14), Trump voltou ao tema em sua rede social, Truth Social. Segundo ele, "a Otan seria muito mais eficaz e mais poderosa com a Groenlândia sob controle dos Estados Unidos", argumentando ainda que isso atenderia a uma necessidade "vital" para o projeto norte-americano de escudo antimísseis.

Dinamarca e Groenlândia, com o apoio de países da União Europeia (UE), rejeitam essa posição. As autoridades afirmam que a ilha não está à venda, consideram irresponsáveis as ameaças de uso da força e defendem que as questões de segurança devem ser tratadas entre países aliados.

Ilha não está "à venda"

"A população da Groenlândia pode contar conosco", reiterou nesta quarta-feira a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante uma coletiva de imprensa em Bruxelas. Ela destacou a importância de que "os groenlandeses saibam — por meio de ações, e não apenas de palavras — que respeitamos suas aspirações e seus interesses". E concluiu:

"A Groenlândia pertence aos seus habitantes".

As declarações ocorreram poucas horas antes de uma reunião considerada delicada, em Washington. Os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia devem se reunir nesta quarta-feira, na Casa Branca, com o vice-presidente dos Estados Unidos, J. D. Vance, para discutir a situação do território.

Segundo informações divulgadas, autoridades da Casa Branca já discutiram diferentes planos para colocar a Groenlândia sob controle norte-americano. Entre as hipóteses analisadas estariam inclusive um possível uso das Forças Armadas dos Estados Unidos e o pagamento de valores fixos aos groenlandeses como forma de convencê-los.

Desejo de comprar a Groenlândia é antigo

A possibilidade de os Estados Unidos comprarem a Groenlândia, de forma negociada ou pela força, como tem sugerido o presidente norte-americano Donald Trump, soa para os historiadores como um déjà-vu. No século XIX, o país em expansão passou por um longo período de aquisições territoriais: a Louisiana (da França), em 1803; depois a Flórida (da Espanha), em 1819; o Alasca (do Império Russo), em 1867; e as Filipinas (da Espanha), em 1898.

"A ideia de adquirir a Groenlândia não é nova. Ela remonta ao século XIX", explicou ao vespertino francês Le Monde o especialista em história dos Estados Unidos, Henry William Brands Jr., professor da Universidade do Texas, em Austin. Na época, essa proposta estava associada à compra do Alasca, então sob controle russo.

"Alguns estrategistas norte-americanos acreditavam que, se os Estados Unidos se tornassem proprietários do Alasca, a oeste, e da Groenlândia, a leste, isso exerceria pressão sobre o Canadá britânico, que era o verdadeiro alvo dos expansionistas americanos." O historiador lembra que Washington já havia tentado duas vezes anexar o Canadá: primeiro durante a Guerra de Independência (1775-1783) e depois na Guerra Anglo-Americana de 1812, mas enfrentou a resistência dos canadenses, protegidos pela Grã-Bretanha.

Com agências

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