Bélgica enfrenta o pior incêndio florestal da história do país
As primeiras evacuações estão sendo realizadas em vilarejos no leste da Bélgica, próximos a um incêndio que já devastou mais de 1.650 hectares. O país enfrenta um dos maiores incêndios de sua história recente.
"Não dá para ver nada, há fumaça por toda parte", relata David Rodolfs, de 38 anos, descrevendo a situação como "extremamente triste". "Meus colegas viram o fogo começar ontem. Caíam cinzas sobre as mesas, e então tivemos que pedir aos clientes para ir embora, sem sobremesa", conta o proprietário de dois restaurantes na região atingida.
O incêndio começou na sexta‑feira (14), no meio do dia, nas Hautes Fagnes, uma grande reserva florestal muito procurada por pessoas que fazem caminhadas ao ar livre e próxima da Alemanha. O fogo se espalhou rapidamente.
Foram 80 hectares queimados na noite de sexta, 850 na manhã de sábado, e depois 1.650 no meio da tarde, segundo Nicolas Yernaux, porta‑voz das autoridades da Valônia.
Os primeiros moradores dos vilarejos de Sourbrodt e Bütgenbach receberam ordem de evacuação por volta das 16h, segundo mensagem publicada pelas autoridades locais no Facebook. O ginásio de uma comuna vizinha foi disponibilizado para acolhê‑los.
"Há risco de o fogo atingir as casas, mas estamos mobilizando todos os meios para protegê‑las", explicou o porta‑voz.
Um jornalista da AFP, escoltado na área incendiada, viu uma vasta extensão de vegetação destruída, enquanto uma espessa nuvem de fumaça permanecia suspensa no ar.
"Quando vemos como estava esta manhã e como está agora, ficamos chocados", afirmou o ministro belga do Interior, Bernard Quintin, presente no local.
O incêndio, que já um dos maiores da história da Bélgica, ainda não está controlado. A situação é ainda mais perigosa porque ele avança em uma área muito acidentada, o que dificulta o trabalho dos bombeiros.
Helicópteros e aviões bombardeiros d'água
Reforços vindos de toda a Bélgica e também da Alemanha foram mobilizados para tentar conter o fogo o mais rápido possível. O país ativou rapidamente o mecanismo europeu de proteção civil, que permite solicitar reforços humanos e materiais em todo o continente.
A comissária europeia responsável pela coordenação do dispositivo, Hadja Lahbib, anunciou que dois aviões bombardeiros d'água suecos e dois helicópteros, um da República Tcheca e um dos Países Baixos, estavam a caminho para ajudar.
"As Fagnes estão queimando. A Bélgica não enfrenta isso sozinha", afirmou ela em publicação no X.
Quatro caminhões de bombeiros belgas de nova geração também foram enviados, segundo o ministro da Defesa, Theo Francken. "As operações de combate ao incêndio continuam ativamente no terreno", destacou o governador da província de Liège, Hervé Jamar, no Facebook.
Nas redes sociais, muitos agricultores publicaram fotos a caminho da área do incêndio para ajudar os bombeiros. O ministro do Interior classificou a mobilização como "impressionante".
Assim como grande parte da Europa, a Bélgica enfrentou nos últimos dias uma nova onda de calor intenso. Na sexta‑feira, as temperaturas chegaram a 37°C em algumas regiões.
Este incêndio fica a apenas algumas dezenas de quilômetros, em linha reta, de outro grande foco no oeste da Alemanha, que já provocou a evacuação de cerca de 1.800 pessoas, com as chamas muito próximas de casas na cidade de Hürtgenwald.
Com AFP
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