Franceses votam no segundo turno de eleições municipais; disputa é acirrada em Paris e Marselha
Os franceses começaram a votar neste domingo (22) no segundo turno das eleições municipais, uma disputa que se mostra incerta em diversas grandes cidades, como Paris, Marselha, Lyon e Toulouse, em um contexto de divisão da esquerda e avanço da extrema direita.
A maioria dos eleitores já havia escolhido seus conselhos municipais no dia 15 de março. O segundo turno envolve pouco mais de 1.500 municípios, a maioria deles grandes cidades. As seções eleitorais abriram às 8h no horário local e fecharão entre 18h e 20h, dependendo do caso. Os primeiros resultados são esperados a partir das 20h.
As listas de candidatos que alcançaram 10% dos votos no primeiro turno puderam se manter, mas o período entre os turnos foi marcado por uma série de alianças, fusões, desistências e rupturas, tornando as previsões difíceis. A redistribuição de votos dará uma ideia dos novos equilíbrios de força a um ano das eleições presidenciais de 2027.
A esquerda está dividida, mas costuma se unir em nível local; a direita resiste, mas teme ser absorvida pela extrema direita, que avança; e a centro-direita do presidente Emmanuel Macron, enfraquecido, desloca-se cada vez mais para a direita.
Disputa acirrada em Paris
Em Paris, a candidata de direita, ex-ministra da Cultura Rachida Dati — oficialmente apoiada pelo centro e beneficiada pela desistência de uma lista de extrema direita — enfrenta o socialista Emmanuel Grégoire, que representa a esquerda no poder na capital há 25 anos. Grégoire chegou em primeiro lugar no primeiro turno, mas a candidata da esquerda radical, Sophia Chikirou (da França Insubmissa), manteve-se na disputa, tornando a eleição triangular ainda mais incerta.
Em Marselha (sul), o prefeito de esquerda Benoît Payan, por outro lado, foi favorecido pela desistência dos insubmissos e parte com vantagem sobre Franck Allisio, candidato do Reunião Nacional (RN, extrema direita), que o seguia de perto no primeiro turno.
Em várias cidades, como Nantes (oeste), os socialistas aceitaram o apoio dos insubmissos para não serem derrotados pela direita em seus redutos. Em Toulouse (sudoeste), eles se aliaram aos insubmissos, que lideraram o primeiro turno. A campanha, no entanto, foi marcada por trocas de farpas entre insubmissos e socialistas, que se recusaram a fazer qualquer acordo nacional.
Os insubmissos também miram outras grandes cidades, como Roubaix (norte), depois de terem vencido em Saint-Denis (região parisiense) já no primeiro turno.
Uma das disputas mais acirradas ocorre em Lyon (centro-leste), a terceira maior cidade da França: o prefeito ecologista Gregory Doucet está em empate técnico com Jean-Michel Aulas, ex-presidente do Olympique Lyonnais (o grande clube de futebol local), classificado à direita.
Do lado da direita moderada, o ex-primeiro-ministro Édouard Philippe está em posição favorável no Havre (oeste). Ele condicionou sua possível candidatura à presidência em 2027 à sua reeleição como prefeito.
Extrema direita se consolida
O Reunião Nacional, que se tornou o maior partido da França nas legislativas de 2024 e confirma seu avanço em nível local, mira cidades como Toulon, Nîmes e Carcassonne (todas no sul), além de ter mantido no primeiro turno a maioria das cidades que já controlava, como Perpignan (sul).
O partido conta especialmente com seu aliado Éric Ciotti, favorito em Nice (sudeste), para consolidar a estratégia de união entre direita e extrema direita, que seu presidente, Jordan Bardella, tenta impor para as presidenciais.
Após uma campanha conturbada, este pleito simboliza as divisões da direita diante do crescimento da extrema direita. O líder dos Republicanos, Bruno Retailleau, recusou-se a apoiar o candidato à reeleição Christian Estrosi (do partido Horizon, de Édouard Philippe), apesar dos acordos firmados entre as lideranças.
com AFP