Espanha anuncia pacote de € 5 bilhões contra alta de preços da energia em meio a guerra no Irã
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou nesta sexta-feira (20) um pacote de € 5 bilhões (cerca de R$ 30,4 bilhões) para conter a alta de preços provocada pelo impacto da guerra no Oriente Médio sobre os preços da energia.
"Situações extraordinárias exigem respostas extraordinárias", declarou o premiê socialista, após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros. Entre as medidas anunciadas, que entram em vigor no sábado após publicação no Diário Oficial, está a redução do IVA sobre o gás e os combustíveis, o que deve permitir uma queda nos preços nas bombas de até 30 centavos de euro por litro — cerca de € 20 de economia para encher o tanque de um carro médio.
Segundo o governo, o plano reúne 80 medidas e deve beneficiar cerca de 20 milhões de famílias e 3 milhões de empresas. Sánchez afirmou que o país está "melhor preparado que quase qualquer outro da Europa" para enfrentar os efeitos econômicos e energéticos do conflito.
O pacote também inclui mecanismos de controle sobre margens de lucro de empresas, uma demanda do partido de esquerda Sumar.
Além disso, o primeiro-ministro mencionou uma redução de 60% nos impostos sobre a luz, por meio, entre outras ações, da suspensão do imposto sobre a produção de energia elétrica e da redução do IVA de 21% para 10%.
Ele também prometeu "fixar um teto para o preço máximo de venda do butano e do propano". "Um subsídio direto de € 0,20 por litro de combustível" também será concedido "a todos os transportadores, agricultores, pecuaristas e pescadores do país, além de um apoio equivalente para a compra de fertilizantes", acrescentou Pedro Sánchez.
Reunião extraordinária
As medidas foram aprovadas após um Conselho de Ministros extraordinário marcado por tensão dentro da coalizão governista. A reunião começou com mais de duas horas de atraso depois que o Sumar, aliado minoritário do governo, ameaçou não participar.
O impasse girava em torno da inclusão de propostas como o congelamento de aluguéis e limites maiores dos lucros de empresários. Como solução, o governo decidiu dividir o pacote em dois decretos.
Um deles reúne as medidas fiscais e de energia já acordadas. O outro trata da prorrogação de cerca de 600 mil contratos de aluguel que vencem nos próximos meses — ponto que enfrenta resistência no Parlamento e pode ser barrado pelo partido Junts per Catalunya.
O chefe de governo espanhol anunciou a adoção desse decreto, que prevê um "congelamento temporário" dos aluguéis no país, onde os preços dos imóveis dispararam nos últimos anos, como em outros países europeus.
A medida, porém, resultado de uma negociação difícil com seu parceiro de governo, o partido de esquerda radical Sumar, ainda precisa ser aprovada pelo Parlamento, onde o governo não tem maioria.
"Irritado"
Sánchez afirmou ainda estar "muito irritado" com a situação internacional, criticando "determinadas decisões e determinados governos" que, segundo ele, agravam a crise atual.
No início do conflito, ele havia negado à aviação americana o uso de duas bases militares no sul do país para a campanha contra o Irã, o que provocou críticas de Donald Trump.
"Os espanhóis e as espanholas terão de arcar com um custo de € 5 bilhões, recursos que poderiam ser destinados a bolsas de estudo, saúde ou assistência a dependentes", continuou.
"É claro que essas medidas não impedirão que os efeitos dessa guerra ilegal cheguem à Espanha, mas ao menos vão reduzir seu impacto e torná-los mais suportáveis", disse Pedro Sánchez.
Segundo o premiê, a Espanha é "o país mais preparado" para enfrentar essa crise, especialmente por sua matriz energética com forte presença de fontes renováveis. Ele também destacou que as medidas anunciadas representam o "maior pacote de proteção social e econômica da União Europeia".
Escalada da guerra
A atual escalada no Oriente Médio já provoca forte volatilidade nos mercados e levou o preço do petróleo a superar os US$ 100 por barril em alguns momentos, além de impactar bolsas internacionais.
Economistas veem risco de um novo ciclo inflacionário na Europa, semelhante ao observado após a guerra na Ucrânia, caso o conflito se prolongue ou afete de forma duradoura o fluxo global de energia.
Os mercados e as chancelarias acompanham com preocupação a sucessão de ameaças e ataques. Segundo Aditya Saraswat, analista da Rystad Energy, se os danos à infraestrutura energética continuarem, o preço do petróleo pode "superar os US$ 120 no curto prazo, com margem para novas altas".
O presidente francês, Emmanuel Macron, por sua vez, classificou a situação como uma "escalada imprudente" e defendeu a abertura de um canal direto de diálogo entre Estados Unidos e Irã.
Com agências