Entenda como serão os fechamentos das piscinas naturais do rio Sena de acordo com as chuvas
Liberadas para o banho após 100 anos de interdição, as águas do rio Sena ficaram mais uma vez impróprias apenas um dia depois da inauguração das piscinas naturais. Mas a bandeira vermelha - que indica a proibição - já era esperada por conta das chuvas que caíram em Paris no sábado (5) e pode continuar aparecendo ao longo de todo o período de verão, sempre que as condições climáticas colocarem em xeque a qualidade da água.
Liberadas para o banho após 100 anos de interdição, as águas do rio Sena ficaram mais uma vez impróprias apenas um dia depois da inauguração das piscinas naturais. Mas a bandeira vermelha - que indica a proibição - já era esperada por conta das chuvas que caíram em Paris no sábado (5) e pode continuar aparecendo ao longo de todo o período de verão, sempre que as condições climáticas colocarem em xeque a qualidade da água.
De acordo com a prefeitura de Paris, a abertura e o fechamento de áreas para banho, indicados por bandeiras verdes ou vermelhas nas piscinas e no site, são decididos por "especialistas em qualidade da água" com base em um fluxograma de tomada de decisão e uma plataforma que centraliza todos os dados-chave coletados.
Os técnicos fazem análises in loco; acompanham dados como fluxo do rio, precipitação e previsões meteorológicas; monitoram medições em tempo real fornecidas pelo sistema de análise ColiMinder e resultados de análises bacteriológicas realizadas pela Eau de Paris ou pela ARS (Agência Regional de Saúde).
Em informação divulgada no site da prefeitura, a gestão das piscinas naturais "se baseia em um princípio de precaução reforçado". Com isso, "alguns fechamentos podem ser decididos mesmo que a qualidade da água permaneça dentro dos limites regulatórios. Por exemplo, uma chuva pode resultar em um fechamento por precaução com duração de 24 a 36 horas, assim como uma ultrapassagem dos limites de alerta do sensor ColiMinder, mesmo na ausência de confirmação laboratorial."
O texto explica ainda que se algum resultado laboratorial estiver alterado, será preciso uma nova análise para confirmar que o ambiente está próprio para banho, o que pode exigir intervalos de 24 horas entre o retorno à normalidade e a possível reabertura das áreas de natação.
Fechamento no domingo
Na manhã do último domingo (6), a bandeira vermelha foi hasteada na entrada das três piscinas parisienses, proibindo o acesso dos banhistas.
"Temos um protocolo, que seguimos à risca, que estabelece que, se chover mais de 10 milímetros em menos de 12 horas, o que corresponde a chuva intensa, não abrimos as piscinas enquanto aguardamos os resultados da qualidade da água", explicou Pierre Rabadan, vice-diretor de esportes da prefeitura de Paris, à AFP.
As piscinas de Bras Marie (4º distrito), Grenelle (15º distrito) e Bercy (12º distrito) ficam fechadas até esta segunda-feira (7), aguardando o resultado dos testes realizados em amostras de água na manhã de terça-feira, anunciou a prefeitura.
O Canal Saint-Martin, que deveria receber seus primeiros banhistas no domingo, também teve que permanecer fechado "devido às chuvas registradas, que comprometem a qualidade da água", informou a prefeitura.
No sábado, mais de 2.300 visitantes foram contabilizados nos três locais de banho.
Herança dos Jogos Olímpicos
No verão passado, as chuvas recordes durante os Jogos Olímpicos frequentemente tornavam a água imprópria para a natação dos atletas, principalmente devido aos níveis elevados de bactérias fecais (Escherichia coli e enterococos). Por conta disso, treinos foram cancelados e provas adiadas, mas no fim todas as competições que estavam previstas no Sena puderam ser realizadas.
Desde 2016, o Estado e as autoridades locais da região de Île-de-France investiram cerca de € 1,4 bilhão para tornar o Sena e o Marne, seu principal afluente, adequados para banho, inclusive regulamentando a coleta de águas residuais.
Ainda no ano passado foi inaugurado o grande reservatório de águas pluviais de Austerlitz, que, com 50 metros de diâmetro, 30 metros de profundidade e capacidade de armazenamento de 50 milhões de litros, tem o objetivo de evitar o transbordamento da rede de saneamento para dentro do rio. Na ocasião, Antoine Guillou, responsável da prefeitura pelo saneamento, afirmou que o reservatório era uma catedral subterrânea e que a obra foi simbólica.
(Com AFP e RFI)