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Em Paris, Papa Leão XIV questiona 'uso da ciência para lucro' e fala em risco de 'paraíso das máquinas'

O Papa Leão XIV alertou contra a tentação de "usar a ciência para obter lucro" durante o discurso feito ao lado do presidente Emmanuel Macron no Palácio do Eliseu nesta sexta-feira (25). Este é o primeiro evento na agenda da visita oficial de quatro dias do sumo pontífice à França.

25 set 2026 - 09h31
(atualizado às 09h52)
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Resumo
Em visita à França, o Papa Leão XIV criticou a eutanásia, a barriga de aluguel e o uso da ciência com foco no lucro. Ao lado de Emmanuel Macron, alertou sobre os riscos do avanço descontrolado da inteligência artificial e condenou o desarmamento nuclear frágil, pedindo multilateralismo e a preservação da fé na esfera pública. Sob forte esquema de segurança, a viagem diplomática e religiosa inclui passagens pela Unesco, pela Catedral de Notre-Dame e grandes missas públicas em Paris.

Ana Carolina Peliz, da RFI em Paris

O presidente da França, Emmanuel Macron (à direita), e o Papa Leão XIV (à esquerda) durante cerimônia após seu encontro no Palácio Presidencial do Eliseu, em Paris, em 25 de setembro de 2026, no início da visita de quatro dias do sumo pontífice à França.
O presidente da França, Emmanuel Macron (à direita), e o Papa Leão XIV (à esquerda) durante cerimônia após seu encontro no Palácio Presidencial do Eliseu, em Paris, em 25 de setembro de 2026, no início da visita de quatro dias do sumo pontífice à França.
Foto: AFP - TERESA SUAREZ / RFI

"Proteger a vida é responsabilidade de todos", disse Leão XIV, que denunciou especificamente a barriga de aluguel, a manipulação genética e o que chamou de "oferta de morte programada".

A abordagem do tema da legalização da ajuda a morrer era esperada nesta visita, que tem como lema "para que o mundo tenha vida". Uma lei que permite a eutanásia e o suicídio assistido, sob determinadas condições, foi adotada pelo Parlamento francês há alguns meses. Na época dos debates sobre a legislação, o papa chegou a falar sobre a questão.

Outro tema de preocupação para o Vaticano é a queda do número de fiéis na França. "A verdadeira laicidade não consiste em excluir a religião da esfera pública", disse também o Papa Leão XIV. "As escolas católicas têm o seu lugar de direito no panorama educativo de um país como a França", um país "com ricas raízes cristãs".

Leão XIV, que fez da inteligência artificial um tema central no início de seu pontificado, alertou ainda para o risco de perdermos "nossa humanidade em meio ao 'paraíso das máquinas' que invadem e moldam nosso cotidiano", ecoando o discurso de Emmanuel Macron, que o antecedeu.

"Inteligência artificial deve ser uma serva, não uma mestra"

O presidente francês defendeu a criação de uma "organização internacional" para garantir que os "modelos mais avançados" de inteligência artificial não acabem "nas mãos de poucos". Segundo Macron, "a inteligência artificial deve ser uma serva, não uma mestra".

Durante um discurso em francês no salão de festas do Eliseu, o sumo pontífice também afirmou ser errada a crença de que possuir armas nucleares garante a segurança e pediu à França que permaneça "uma defensora incansável da paz e do multilateralismo".

O papa também falou sobre a reconstrução da Catedral de Notre-Dame, onde deve celebrar uma missa em breve. Os artesãos que a reconstruíram e os bombeiros que salvaram o edifício estavam presentes na plateia. "Uma conquista tão magnífica deveria inspirar todos os envolvidos na vida social, política e religiosa do país!"

"A França está muitas vezes no centro das orações do papa", brincou Leão XIV, lembrando que tem antepassados franceses da Normandia, da Borgonha e da Bretanha.

Visita política e religiosa

O papa visita a França a convite do presidente francês, do diretor-geral da Unesco e de autoridades eclesiásticas. Mas a agenda diplomática de Leão XIV será limitada. Embora o presidente da República tenha recebido o papa em sua chegada ao aeroporto, as trocas de palavras entre Leão XIV e Emmanuel Macron durante a visita ao Palácio do Eliseu foram bastante breves. Não houve almoço privado entre os dois. O sumo pontífice preferiu fazer suas refeições na Nunciatura Apostólica, representação oficial da Santa Sé em Paris.

Do Palácio do Eliseu, o papa seguiu para a sede da Unesco, onde discursa sobre o tema da educação. Depois, desfila pelas ruas de Paris no papamóvel, realizando um trajeto de cerca de 2,5 quilômetros, da Igreja de Notre-Dame-des-Champs, no 6º distrito de Paris, até a Catedral de Notre-Dame, no centro da cidade, onde celebra uma missa para representantes religiosos. Cerca de 250 mil pessoas devem acompanhar o desfile do papa.

Leão XIV encerra a programação desta sexta-feira com uma vigília com cerca de 80 mil jovens no Stade de France.

Mas o ponto alto da viagem do sumo pontífice à França será a missa de sábado na Praça da Concórdia, quando são esperadas 600 mil pessoas.

Um esquema de segurança excepcional foi mobilizado para a visita do papa. Cerca de 15 mil policiais e militares e 2,5 mil bombeiros estão em alerta máximo na capital.

Esta é a quinta viagem apostólica de Leão XIV desde que foi eleito papa e tem como lema "para que o mundo tenha vida". O papa se preocupa com a Igreja Católica na França, que perde adeptos e enfrenta desafios como a violência sexual dentro da instituição e a forma como esses casos foram tratados.

No sábado, Leão XIV se despede de Paris com uma missa para 600 mil pessoas na maior praça da cidade, a Place de la Concorde, no fim da Avenida Champs-Élysées. Para ter acesso à celebração, os fiéis tiveram que se inscrever e receberam um QR code.

No domingo, o pontífice visitará o Santuário de Lourdes, um dos principais locais de peregrinação para os católicos, antes de seguir para Metz, no nordeste do país, onde visitará a Catedral de Saint-Étienne, apelidada de "Lanterna de Deus".

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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