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Despejo de Maricarmen, aposentada de 87 anos de Madri, gera indignação na Espanha

O despejo de Maricarmen, aposentada de 87 anos, de seu apartamento em Madri, onde viveu a vida inteira, provocou indignação na Espanha nesta quarta-feira (23). Maricarmen morava há 70 anos no bairro nobre de Retiro, no centro da capital espanhola, próximo ao parque de mesmo nome, reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco. Segundo seus apoiadores, ela sempre pagou o aluguel.

24 set 2026 - 11h25
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Resumo
O despejo de Maricarmen, uma idosa de 87 anos que acabou hospitalizada por estresse após anos de batalha judicial contra o aumento abusivo de 275% em seu aluguel, gerou revolta na Espanha. O caso, executado pela polícia sob protestos em Madri, reacendeu o debate sobre a crise habitacional do país, impulsionada pela especulação imobiliária e pelo turismo. O premiê Pedro Sánchez classificou o episódio como "tragédia social" e prometeu urgência em medidas para conter os abusos do setor.

A aposentada foi levada de ambulância ao Hospital Gregorio Marañón, onde passou sua primeira noite e permanecerá internada nos próximos dias. Maricarmen apresenta um quadro de esgotamento provocado pela ansiedade e pelo estresse decorrentes do despejo e deverá passar por exames. 

A polícia de choque espanhola removeu ativistas pelo direito à moradia que tentavam impedir o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, que foi despejada de sua casa em Madri, onde morava há mais de sete décadas. Em 24 de setembro de 2026.
A polícia de choque espanhola removeu ativistas pelo direito à moradia que tentavam impedir o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, que foi despejada de sua casa em Madri, onde morava há mais de sete décadas. Em 24 de setembro de 2026.
Foto: REUTERS - Susana Vera / RFI

"Estou deixando Madri porque Madri já não é mais Madri. E os madrilenhos já não são mais madrilenhos. São todos turistas da Gran Vía", afirmou Maricarmen à RTVE, referindo-se à principal avenida comercial da capital espanhola. 

Maricarmen travou durante anos uma batalha judicial contra uma imobiliária que adquiriu o imóvel e aumentou o aluguel em 275%, que subiu para € 2.650 euros (cerca de R$ 16.960), de acordo com o Sindicato dos Inquilinos de Madri. 

Equipes de resgate transportaram a aposentada, que se locomove em cadeira de rodas, em uma maca até uma ambulância. "Maricarmen, você não está sozinha!", gritavam os apoiadores, atrás de um cordão de segurança. "Não se pode fazer uma pessoa viver durante sete anos sob ameaça", declarou a aposentada, responsabilizando as autoridades por sua situação. 

Em entrevista ao jornal El País, uma pessoa próxima da família disse que seu primo Vicente confirmou nesta quinta-feira (24) que Maricarmen continua internada e não receberá alta. "Ela será transferida para uma enfermaria e permanecerá mais alguns dias", afirmou. "Ela está bem, mas, por causa do nervosismo provocado pelo despejo e pela forma como tudo aconteceu, ficará em observação." 

Segundo essa fonte, Vicente também acompanhou as últimas horas da prima no apartamento e guardou em uma bolsa de mão os poucos pertences que conseguiram recolher antes da execução da ordem de despejo: duas nécessaires com produtos de higiene, medicamentos, roupas, fraldas, objetos de valor e várias fotografias de Maricarmen, de sua sobrinha e de sua mãe. 

O caso chegou à Suprema Corte, que decidiu em favor da imobiliária, abrindo caminho para o despejo, informou o sindicato. Na quarta-feira, a polícia dispersou à força dezenas de ativistas que acampavam diante do prédio de Maricarmen para tentar impedir a expulsão, sob gritos de "Vergonha!" dos manifestantes. 

Tragédia social

"É uma tragédia social que não podemos aceitar", lamentou o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez durante uma conferência paralela à Assembleia Geral da ONU, em Nova York. O chefe de governo espanhol também pediu aos deputados a aprovação de um decreto considerado "necessário para resolver a crise habitacional" e que será apresentado "com urgência" pelo Executivo. 

A Anistia Internacional Espanha denunciou uma "violação dos direitos humanos" e "um sistema que privilegia interesses especulativos em detrimento do direito de Maricarmen de permanecer em sua casa". Segundo a organização, "este é mais um exemplo do sofrimento vivido por milhares de famílias na Espanha".

A ministra da Habitação, Isabel Rodríguez, afirmou que o governo de esquerda tentou diversas vezes aprovar uma lei para proibir esse tipo de despejo e acusou a administração regional de Madri, comandada pelos conservadores, de "estender o tapete vermelho a esses especuladores". 

Os moradores do segundo país mais visitado do mundo acusam plataformas de aluguel de curta duração, como o Airbnb, de elevar os preços dos imóveis e reduzir a oferta de moradias, situação que já provocou manifestações em cidades como Barcelona. 

Com agências

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