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Em apelo por paz na Síria, Papa pede fim de 'espiral da morte'

7 set 2013 - 15h55
(atualizado às 16h59)
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Milhares de fiéis acompanharam a vigília pela paz comandada pelo papa Francisco, no Vaticano
Milhares de fiéis acompanharam a vigília pela paz comandada pelo papa Francisco, no Vaticano
Foto: AP

Com expressão fechada, o papa Francisco fez neste sábado um apelo aos líderes mundiais para impedir o aprofundamento do conflito na Síria, pedindo que retirem a humanidade de uma "espiral de sofrimento e morte".

Francisco, que há dois dias classificou como "inútil" uma eventual solução militar na Síria, convocou os cerca de 1,2 bilhão de católicos do mundo para um dia mundial de oração e jejum pela paz na Síria, no Oriente Médio e no mundo.

"Violência e guerra conduzem somente à morte, falam de morte! Violência e guerra são a linguagem da morte!", afirmou Francisco durante uma jornada de orações com cinco horas de duração, diante de dezenas de milhares de pessoas na Praça São Pedro, no Vaticano.

Os Estados Unidos e a França estão planejando realizar uma ação militar contra a Síria para punir o presidente Bashar al-Assad por um ataque com armas químicas em 21 de agosto, no qual morreram centenas de pessoas. O governo Assad nega ter sido o responsável pela ação.

A jornada foi pontuada por música, orações, a reza do terço e longos períodos de silêncio, durante os quais se pedia aos participantes que meditassem sobre a necessidade de paz para subjugar a destruição da guerra.

"Nós temos aperfeiçoado nossas armas, nossa consciência está adormecida e nós afiamos nossas ideias para nos justificarmos. Como se fosse normal, continuamos a semear destruição, dor e morte!", disse Francisco, que vestia sua batina branca simples em vez dos trajes cerimoniais.

"Neste ponto eu me pergunto: é possível mudar o rumo? Podemos sair desta espiral de sofrimento e morte? Podemos aprender de novo a caminhar e viver nos caminhos da paz?", disse.

O Papa pediu então que "cada um de nós, do menor ao maior, incluindo aqueles chamados para governar nações, que respondessem: 'sim, nós queremos isso!'".

Quando anunciou a jornada de vigília, no domingo passado, Francisco pediu aos católicos de todo o mundo que rezassem e jejuassem e convidou membros de outras religiões a tomar parte de algum modo que achassem condizente, na esperança de que uma guerra maior pudesse ser evitada.

"Isso é muito assustador, muito assustador", afirmou Lennie Tallud, funcionária de um laboratório de análises clínicas que visitava a catedral de St. Patrick, em Nova Iorque. Quando indagada se achava que as orações fariam diferença, ela respondeu: "Certamente, claro. Sem dúvida. Acho que faz 100%.”

Yaha Pallavicini, líder da comunidade muçulmana na Itália, esteve presente ao serviço religioso no Vaticano, com outras pessoas de sua fé.

"Rezar pela intenção de paz é algo que só pode ajudar a fraternidade e, Deus queira, evitar mais guerra", disse ele à Reuters. "Como muçulmanos que querem paz, temos de trabalhar para que os valores da fé e do diálogo prevaleçam sobre a destruição de povos."

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