Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

As Principais Notícias da Europa

Diversidade do design brasileiro conquista Salão do Móvel de Milão

A 64ª edição do Salão do Móvel de Milão começou na terça-feira (21) e deve receber mais de 319 mil visitantes até domingo (26), dos quais 62% estrangeiros. O estande brasileiro destaca o valor da madeira nacional e de peças que incorporam a assinatura de seus criadores.

24 abr 2026 - 12h20
Compartilhar
Exibir comentários

Júlia Valente, correspondente da RFI em Milão

O Salão do Móvel de Milão, a principal feira internacional do setor de móveis e design, foi criada inicialmente com o objetivo de promover o design italiano, mas se transformou ao longo do tempo em um evento global, reunindo profissionais da arquitetura e do design de interiores de diversas partes do mundo. Neste ano, são mais de 1.900 expositores de 32 países.

Pelo 10º ano, o Brasil conta com um estande próprio, uma iniciativa da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário, a Abimóvel, em parceria com a Apex Brasil - Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos. Em 2026, a Abimóvel traz ao Salão de Milão 70 marcas e designers brasileiros.

O tema escolhido para o estande do Brasil foi "Conexões". "É a conexão da indústria com as matérias-primas. A gente traz produtos assinados mostrando a madeira brasileira, os revestimentos brasileiros que nos distinguem, as tramas, os fios, o couro brasileiro, algo tipicamente do Brasil", explica Cândida Cervieri, diretora executiva da Abimóvel.

Para a edição de 2026, o Salão do Móvel reforça a valorização dos materiais e dos processos de produção no design, um campo em que o Brasil se destaca no exterior, especialmente pelo uso da madeira nacional.

"Temos mais de 20 mil espécies de madeira e a gente sabe que esse é um produto procurado, desejado pelo mundo. Então este é um ativo que nos distingue nos nossos produtos e que faz a diferença", diz Cervieri.

Uma das novidades da participação brasileira neste ano é a presença de peças vencedoras do 1º Prêmio Design da Movelaria Nacional, promovido pela Abimóvel no ano passado e que contou com participantes de diversos perfis, desde designers já no mercado a estudantes. A premiação era exatamente ter a peça exposta na feira em Milão.

Alexandre Kasper foi um dos vencedores do prêmio do 1º Prêmio Design da Movelaria Nacional.
Alexandre Kasper foi um dos vencedores do prêmio do 1º Prêmio Design da Movelaria Nacional.
Foto: RFI

Um dos vencedores do prêmio foi Alexandre Kasper. A cadeira que ele assina, batizada de Zé, está exposta na feira. Natural do Paraná, o designer afirma que a participação no evento abre portas no Brasil e no exterior.

"Como criativo, o design brasileiro tem uma autenticidade muito singular. O brasileiro se arrisca mais, ele cria produtos, gosta de experimentar. Muitas lojas, tanto do Brasil quanto da Europa, já vêm nos procurando justamente por causa dessa identidade. Nosso estande foi muito percorrido hoje, muitos clientes passaram por aqui, a gente está abrindo para novos clientes e isso é muito positivo", celebra o designer.

Identidade do designer se integra à indústria

As principais indústrias do mobiliário global estão presentes no Salão do Móvel de Milão, que se espalha por 22 pavilhões. No entanto, a presença do designer é cada vez mais forte em cada uma das marcas. O designer Tiago Curioni destaca que já não há interesse no setor em produzir algo sem relacioná-lo ao criador.

"Não existe criar um produto sem ter alguém por trás assinando, alguém pensando. (Sem) o designer como alguém que vai tratar não só da estética do produto, mas de todo o conceito de como a matéria-prima chega na fábrica, como ela é armazenada, até como esse produto vai ser comunicado", defende.

Por isso, investir em identidade se tornou central para o setor. O designer Michael Milhomem, natural de Roraima, apresenta no estande brasileiro uma poltrona inspirada nos indígenas Warao, de origem venezuelana, que hoje estão presentes na Amazônia roraimense. O design remete a um barco e é composto por uma rede sustentada por uma estrutura de aço e madeira.

"A palavra Warao significa povo das águas. Utilizo a rede deles de fibra de buriti, extremamente resistente. Uma única rede leva dois meses pra ser feita e é produzida dentro da floresta Amazônica a mão pelas indígenas. É um projeto de 50 unidades apenas, uma edição limitada, feita por amazônidas para o mundo", afirma Milhomem.

A criação de Milhomem reflete o contexto ao seu redor, algo que, agora, ele apresenta ao mundo. "Para mim é um divisor de águas. Eu saí de Roraima, [de onde] produzo dentro da selva, para poder mostrar meu valor fora do país. Isso pra mim é sensacional, pois a visibilidade que temos aqui é única."

A diversidade do design brasileiro chama a atenção de quem visita o estande, até mesmo de quem vem do Brasil. "Um brasileiro olhar essa peça com um olhar exótico, uma estranheza, como um gringo olha, é sinal de que o design alcançou um ponto muito interessante. Porque geralmente o que impacta um gringo não impacta um brasileiro e vice-versa", aponta Milhomem.

Atrações fora da feira

Durante a mesma semana do Salão do Móvel, Milão também vive a chamada Semana do Design. Além da feira, voltada à indústria de móveis, a cidade recebe mais de 1.850 instalações artísticas espalhadas por diferentes bairros. É o chamado Fuorisalone, ou "Fora do Salão", quando marcas, lojas e designers organizam suas próprias exposições e eventos, criando oportunidades de conexão entre profissionais e apaixonados pelo design de todo o mundo.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar

Comentários

As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra