Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

As Principais Notícias da Europa

UE quer reforçar defesa coletiva e apliar compromisso com desescalada no Oriente Médio

Os países europeus querem fortalecer e testar a cláusula de assistência mútua da União Europeia em meio às incertezas sobre o envolvimento dos Estados Unidos na segurança do continente, afirmou nesta sexta‑feira (24) o presidente do Chipre, Nikos Christodoulides, durante uma cúpula da UE realizada no país. No encontro, os líderes do bloco também ressaltaram a intenção de ampliar o compromisso europeu com a desescalada no Oriente Médio.

24 abr 2026 - 10h05
Compartilhar
Exibir comentários

A cláusula de assistência mútua entre os 27 países do bloco, prevista no Artigo 42.7 do Tratado da UE, determina que, se um estado-membro  for "vítima de agressão armada em seu território", os demais países devem prestar "ajuda e assistência por todos os meios ao seu alcance".

"Há uma série de perguntas para as quais precisamos de respostas", explicou Christodoulides, cujo país exerce atualmente a presidência rotativa da União Europeia. "Vamos imaginar que a França acione o Artigo 42.7: quais países serão os primeiros a responder ao pedido do governo francês? Quais são as necessidades do governo ou do país que invoca o Artigo 42.7?", questionou. "A ideia é desenvolver um plano operacional a ser aplicado caso esse artigo seja acionado por qualquer país da UE", acrescentou.

O Artigo 42.7 foi acionado apenas uma vez, pela França, após os atentados jihadistas de 2015. Até hoje, porém, as obrigações práticas e as consequências desse acionamento permanecem pouco claras.

A União Europeia planeja realizar um primeiro exercício de simulação — um "jogo de guerra político" — em maio, no âmbito dos embaixadores dos 27 Estados membros em Bruxelas.

O objetivo não é testar capacidades militares em campo, mas simular politicamente e operacionalmente o que acontece nas primeiras horas e dias após a invocação da cláusula de assistência mútua da UE.

Um segundo exercício, desta vez com a participação dos ministros, deverá ocorrer posteriormente.

Diante das recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas quais voltou a ameaçar retirar o país da OTAN, os europeus buscam reforçar sua segurança coletiva. Os ataques de drones atribuídos ao Irã no início de março contra alvos no Chipre também aceleraram a decisão. A realização da cúpula europeia no país tem, inclusive, forte peso simbólico, já que bases da Otan ali localizadas foram atingidas no início do conflito.

Compromisso com a desescalada no Oriente Médio

Durante a cúpula, os líderes europeus também enfatizaram que pretendem ampliar o engajamento do bloco em favor da desescalada no Oriente Médio. Participam do encontro os presidentes do Líbano, Joseph Aoun, e do Egito, Abdel Fattah al‑Sisi, o primeiro‑ministro da Síria, Ahmed al‑Sharaa, e o príncipe herdeiro da Jordânia, Hussein bin Abdullah. As autoridades participam nesta sexta‑feira de um almoço de trabalho com os líderes europeus.

O presidente do Chipre, Nikos Christodoulides, recebe o presidente da Síria, Ahmed Al-Sharaa, no dia da cúpula dos líderes da União Europeia e de seus parceiros regionais em Nicósia (Lefkosia), Chipre, em 24 de abril de 2026.
O presidente do Chipre, Nikos Christodoulides, recebe o presidente da Síria, Ahmed Al-Sharaa, no dia da cúpula dos líderes da União Europeia e de seus parceiros regionais em Nicósia (Lefkosia), Chipre, em 24 de abril de 2026.
Foto: RFI

"A Europa precisa se envolver ainda mais. Este almoço será uma oportunidade, com a Síria, a Jordânia e outros países, para coordenar ações. Eles são diretamente afetados pela situação na região", afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron, em Nicósia.

"Todos nós temos interesse" em ver a estabilidade retornar "o mais rapidamente possível", acrescentou.

Também nesta sexta‑feira, o presidente americano, Donald Trump, afirmou ter "todo o tempo do mundo" para negociar a paz com o Irã, enquanto o cessar‑fogo com Teerã permanece sob ameaça.

Macron reiterou ainda a necessidade de estabilidade no Líbano e afirmou que a França está pronta para organizar uma conferência de apoio às Forças Armadas libanesas, caso Beirute considere adequado. O presidente cipriota, Nikos Christodoulides, também defendeu que a Europa faça "muito mais" no Oriente Médio.

De forma mais ampla, o chefe de Estado do Chipre defendeu o fortalecimento da cooperação entre a União Europeia e os países da região. "Devemos iniciar discussões com o Líbano com vistas à conclusão de um acordo estratégico abrangente", afirmou. Ele acrescentou que o bloco também precisa reforçar o diálogo com a Síria. "Como sabem, as sanções contra o regime sírio ainda estão em vigor", disse, referindo‑se a Damasco. "Precisamos encontrar uma solução — uma abordagem gradual — para ajudá‑los", concluiu.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar

Comentários

As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra