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Ciberataque levanta preocupações sobre segurança das comunicações no Parlamento da Alemanha

Um ciberataque de grandes dimensões e "extremamente preocupante" ao aplicativo de mensagens Signal, investigado desde fevereiro, levanta dúvidas sobre a segurança das comunicações no Parlamento alemão. O caso também envolve círculos diplomáticos, militares e da imprensa. A Rússia é considerada a principal suspeita.

24 abr 2026 - 11h35
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"A dimensão do recente ataque ao Signal, pelo que se sabe até o momento, é extremamente preocupante. Atualmente, ninguém pode afirmar com certeza que a integridade das comunicações dos parlamentares ainda esteja garantida", afirmou Konstantin von Notz, deputado do Partido Verde no Bundestag (câmara baixa) e especialista em segurança nacional.

"É imprescindível obter rapidamente clareza sobre quem foi afetado, sobretudo em relação aos dados que de fato foram comprometidos", acrescentou.

O serviço de mensagens Signal — amplamente utilizado em círculos políticos por ser considerado mais seguro — foi alvo de um ataque realizado por meio de phishing, técnica que consiste em se passar por uma pessoa ou instituição conhecida da vítima para induzi‑la a fornecer informações sensíveis, clicar em links falsos ou revelar senhas.

Jornalistas, diplomatas e militares também foram atingidos, mas o governo do chanceler conservador Friedrich Merz se recusou até agora a comentar a real dimensão do ataque.

Governo não informa detalhes

Dois partidos admitiram que parte de seus parlamentares foi afetada: os sociais‑democratas, que governam a Alemanha em coalizão com os conservadores, e o partido de extrema esquerda Die Linke, na oposição. "Devemos esperar que o número real de pessoas atingidas continue a aumentar nos próximos dias", alertou von Notz, instando os serviços de inteligência e a polícia a "conscientizarem o público".

Ao mesmo tempo em que defendeu uma investigação "minuciosa", o parlamentar não especificou o grau de envolvimento de seu próprio partido. Questionados durante uma coletiva de imprensa sobre o ciberataque e suas implicações, porta‑vozes do governo limitaram‑se a declarações genéricas.

Uma porta‑voz do Ministério do Interior informou que o ataque começou em fevereiro, "continua em andamento" e "provavelmente está sendo conduzido por um agente estatal". Um primeiro alerta foi emitido em 6 de fevereiro, seguido por um segundo em 17 de abril. Segundo ela, o ataque tem como alvos "políticos, militares, diplomatas e jornalistas investigativos".

O caso ganhou maior repercussão a partir de quarta‑feira, quando a revista semanal Der Spiegel, citando fontes anônimas, revelou que a presidente do Bundestag, Julia Klöckner — figura proeminente do partido conservador — havia sido vítima de phishing.

Klöckner integra o comitê executivo da União Democrata Cristã (CDU), cujos membros — incluindo o chanceler Friedrich Merz — utilizam um grupo de mensagens no Signal para se comunicar, segundo a revista.

Um porta‑voz da Chancelaria alemã, Sebastian Hille, afirmou à imprensa nesta sexta‑feira que "as comunicações do governo federal, do chanceler federal e dos ministros federais são seguras". Von Notz, contudo, disse ser necessário "lembrar" o governo da "urgência em reforçar a segurança cibernética na Alemanha", acusando‑o de "falhas enormes", já que uma reforma constitucional destinada a fortalecer os serviços de segurança do país está paralisada há meses.

O governo alemão ainda não acusou formalmente a Rússia pelo ataque, mas, segundo Marc Henrichmann, presidente da comissão parlamentar de supervisão do Bundestag, Moscou é de fato responsável.

"A recente tentativa de phishing lançada a partir da Rússia contra políticos e jornalistas alemães é um alerta para todos nós", declarou. A Rússia é acusada de numerosos ciberataques contra países ocidentais. As autoridades alemãs figuram entre os alvos frequentes, como em 2015, quando computadores do Parlamento e do gabinete da então chanceler Angela Merkel foram hackeados.

Com AFP

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