Deputados franceses analisam projeto que proíbe redes sociais para menores de 15 anos
Os deputados franceses votarão em primeira instância, nesta segunda-feira (26), a proibição do uso das redes sociais por menores de 15 anos e o banimento dos celulares das escolas de ensino médio. As medidas, que visam proteger a saúde dos adolescentes, contam com forte apoio do governo francês e do presidente Emmanuel Macron, mas não representam um consenso.
As redes sociais como Instagram, TikTok ou X estão prejudicando seriamente a saúde mental dos adolescentes, alertou a Agência Francesa de Segurança Alimentar, Ambiental e Ocupacional (ANSES), no início do mês. Os riscos listados são numerosos, incluindo cyberbullying, comparação constante com os outros e exposição a conteúdo violento. Também são destacados os sistemas que prendem a atenção e perturbam o sono.
O assunto é destaque na imprensa francesa. O jornal La Croix publica a experiência do coletivo Algos, formado por pais que entraram na Justiça com processos judiciais contra a plataforma TikTok, a qual acusam de "incentivar a anorexia, depressão e mesmo suicídio de adolescentes". Eles se dizem impotentes contra o poder dos algoritmos e contam com a legislação para os apoiar.
Algumas organizações de pais e de estudantes, no entanto, consideram a proibição do uso de redes sociais pelos adolescentes como "uma resposta muito simples para um problema complexo". Eles defendem a educação para o mundo digital, reforçando o papel dos pais nessa discussão. Além disso, questionam a aplicação de uma proibição total, já que os menores poderiam sempre recorrer ao uso de VPN (rede privada virtual) para contornar a restrição.
O jornal Libération ouviu especialistas no assunto. Alguns alertam que a interdição total pode ser entendida pelos adolescentes como falta de confiança em sua capacidade de discernimento e que não trata das causas estruturais. Defendem que não há dados científicos sobre a eficácia de tal medida, enquanto trazer os menores para a discussão poderia ser mais eficiente.
Outros defendem que é preciso agir com todas as armas contra um inimigo capaz de promover o sedentarismo e inúmeros problemas de saúde às crianças francesas, incluindo doenças do sono, problemas psicológicos e mesmo a miopia, em nome de um modelo de negócios lucrativo para as plataformas digitais.