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'Choque fascista': imprensa francesa reage à vitória da extrema direita na Alemanha

O resultado das eleições regionais na Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha, é o destaque da imprensa francesa nesta segunda-feira (7). O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve cerca de 44% dos votos, o melhor desempenho de sua história.

7 set 2026 - 05h10
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Resumo
A imprensa francesa reagiu com alarme à inédita vitória da extrema direita (AfD) em eleições regionais na Alemanha, classificando-a como um choque e ameaça democrática. O pleito enfraqueceu o chanceler Friedrich Merz, da CDU, que perdeu metade de seus votos após duas décadas no poder local. O avanço da AfD, impulsionado pelo candidato Ulrich Siegmund e por votos de protesto, abre a chance real de o partido governar a região por meio de alianças, ampliando a crise política em Berlim.

O portal Franceinfo destaca o "terremoto político" provocado pelas eleições regionais, vistas como um marco na vida política alemã e um duro golpe para o chanceler Friedrich Merz, cada vez mais pressionado pela ascensão da extrema direita.

O Le Monde lembra que a votação representa uma "humilhação" para a CDU, partido conservador de Merz, que governava a região havia mais de duas décadas e perdeu metade de seu apoio eleitoral. O jornal ressalta que, embora a AfD ainda não tenha garantido o comando do governo regional, o resultado abre a possibilidade inédita de a extrema direita chegar ao poder em um dos estados alemães.

O conservador Le Figaro atribui boa parte do sucesso ao candidato Ulrich Siegmund, de 35 anos. Descrito pela imprensa alemã como um político com imagem de "genro ideal", ele conseguiu ampliar o alcance do partido para além do eleitorado tradicional da extrema direita.

O jornal observa que sua campanha explorou símbolos da antiga Alemanha Oriental e transformou Siegmund em uma figura popular nas redes sociais. Já o Libération adota um tom alarmista. Em sua manchete principal, fala em "choque fascista" e afirma que a extrema direita está "às portas do poder pela primeira vez desde 1945", fim da Segunda Guerra Mundial.

O diário de esquerda enfatiza a mobilização de sindicatos, ambientalistas e grupos antifascistas em Magdeburgo, onde manifestações classificaram o resultado eleitoral como uma ameaça à democracia alemã.

Aliança com o partido populista BSW

Na análise da correspondente do La Croix em Berlim, o resultado é interpretado como um recado direto ao governo federal. O jornal destaca que a AfD transformou a eleição regional em um voto de protesto contra Berlim e observa que a possibilidade de uma aliança com o pequeno partido populista BSW, favorável à Rússia e contrário à imigração, pode abrir caminho para a formação de um governo liderado pela extrema direita.

Além da dimensão regional, diversos jornais apontam o enfraquecimento político de Friedrich Merz. O Le Monde lembra que as pesquisas nacionais já colocam a AfD à frente da CDU. O Libération vai mais longe e sugere que os próximos dois testes eleitorais, marcados para daqui a duas semanas, podem reabrir o debate sobre a permanência do chanceler no cargo.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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