Centenas lembram assassinato de jornalista russa após 3 anos
Centenas de pessoas lembraram nesta quarta-feira a jornalista russa Anna Politkovskaya, três anos depois de seu assassinato, com duras críticas ao Kremlin por sua falta de vontade política para encontrar os culpados.
O ato começou nas imediações da estação de metrô Chistye Prudy, no centro de Moscou, às 16h03 locais, exatamente a hora em que Politkovskaya foi morta, em frente a sua casa.
As autoridades de Moscou autorizaram a revista Novaya Gazeta, para a qual a jornalista trabalhava desde 1999, a organizar o comício, mas limitaram em 350 o número de pessoas que puderam assistir ao evento, segundo as agências russas.
Para evitar incidentes, forças de segurança cercaram a zona, mas centenas de pessoas se concentraram nas imediações. Antes dos discursos, os presentes fizeram um minuto de silêncio.
"Se fizéssemos um minuto de silêncio em memória de cada jornalista assassinado na Rússia desde 1993 estaríamos em silêncio durante cerca de cinco horas", disse Alexei Simonov, diretor da Fundação de Defesa da Glasnost (transparência).
O diretor da revista Novaya Gazeta, Dmitri Muratov, denunciou o fato de "o assassinato ainda não ter sido esclarecido". Já o ex-primeiro-ministro Mikhail Kasyanov tachou de "imitação de investigação" as realizadas pela Promotoria russa.
"Muitos esperavam o melhor, mas passou um ano e meio (desde que o presidente Dmitri Medvedev assumiu o poder) e os que assim pensavam, veem que não há melhoras, mas uma piora da situação política no país", disse, na tribuna de oradores.
Ilya, filha da jornalista, criticou o fato de as autoridades russas não terem permitido a viagem a Moscou do secretário-geral da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Jean-François Julliard, para participar do ato.
"É muito estranho e dificilmente compreensível. Parece uma decisão política. A RSF não é uma organização da qual devem ter medo", comentou.
O assassinato de Politkovskaya, que nasceu em Nova York em 1958, aconteceu enquanto a jornalista preparava um artigo sobre as torturas sistemáticas realizadas na Chechênia, que foi publicado por seus companheiros cinco dias após sua morte.