Católicos LGBT+ pedem mais diversidade na Igreja em peregrinação no Vaticano
Mais de mil católicos LGBT+ e seus familiares participam neste fim de semana de uma peregrinação no Vaticano, que pela primeira vez foi incluída no calendário oficial do Jubileu, e defendem mais diversidade na Igreja. Como milhões de outros peregrinos, os participantes caminharão na tarde deste sábado (6) pela principal via de acesso ao Vaticano para atravessar a "Porta Santa" da imponente Basílica de São Pedro. Não está prevista nenhuma audiência privada com o papa Leão XIV.
Mais de mil católicos LGBT+ e seus familiares participam neste fim de semana de uma peregrinação no Vaticano, que pela primeira vez foi incluída no calendário oficial do Jubileu, e defendem mais diversidade na Igreja. Como milhões de outros peregrinos, os participantes caminharão na tarde deste sábado (6) pela principal via de acesso ao Vaticano para atravessar a "Porta Santa" da imponente Basílica de São Pedro. Não está prevista nenhuma audiência privada com o papa Leão XIV.
Pelo menos 1.400 pessoas de cerca de 20 países atenderam ao convite da associação italiana La Tenda di Gionata (A Tenda de Jônatas) para participar do jubileu da Igreja, realizado a cada 25 anos. A associação organiza eventos, publicações, peregrinações e oferece apoio pastoral e emocional a cristãos LGBT+ e seus pais.
Yveline Behets, mulher trans de 68 anos, vinda de Bruxelas, percorreu 130 km a pé com cerca de 30 pessoas LGBT+ pela Via Francigena até Roma. Diante das "dificuldades de relacionamento e culturais" no meio católico, onde diz não se sentir "sempre reconhecida", ela espera que a Igreja dê mais espaço à "pluralidade".
Pela manhã, centenas de peregrinos participaram de uma missa presidida pelo vice-presidente da Conferência Episcopal Italiana na igreja Chiesa del Gesù, no centro de Roma, após uma vigília de oração na sexta-feira (5) com depoimentos.
"É um sinal realmente importante para nós, para nos sentirmos mais incluídos na Igreja", disse Hugo, franco-quebequense de 35 anos, que preferiu não divulgar o sobrenome por questões de privacidade. Ele espera que esse gesto "permita que pessoas que estão em dúvida se sintam autorizadas a ser mais acolhedoras com os homossexuais dentro da Igreja".
"Há medos e uma forma de desconhecimento sobre a vida dos homossexuais", lamenta. "Se todos se encontrassem, acho que isso derrubaria muitas barreiras", afirma. Segundo ele, "ainda há bloqueios", especialmente para os casais que têm o "acesso aos sacramentos questionado".
Em 12 anos de pontificado, o papa Francisco "não teve medo de pronunciar certas palavras", o que "desmistificou bastante o tema da homossexualidade na Igreja", elogia Hugo. "Não é mais um tabu. E isso, acredito, é apenas uma porta aberta para muitas outras evoluções."
Educação
Desde sua eleição em 2013 até sua morte em abril, o papa Francisco, defensor de uma Igreja aberta a "todos", mostrou-se receptivo às demandas da comunidade LGBT+, sem alterar a doutrina. Sua decisão, no fim de 2023, de permitir bênçãos a casais do mesmo sexo gerou forte reação em setores conservadores, especialmente na África.
Qual será a posição de seu sucessor americano, até agora bastante discreto sobre o tema? Para Beatrice Sarti, italiana de 60 anos que acompanhou o filho homossexual, "ainda há muito a ser feito", começando pela mudança de mentalidade.
"Muitos de nossos filhos não vão mais à igreja porque os fizeram sentir que estavam errados. Isso precisa mudar com urgência", afirma. "O mais urgente seria formar os educadores, os seminários, os padres e os bispos, começando pela base: o catecismo, o magistério", mesmo que "seja um processo muito lento".
Com AFP