Bombeiro confessa envolvimento em incêndio florestal e causa revolta na França
Dois jovens de 18 anos foram postos em prisão preventiva nesta quarta-feira (15) por envolvimento no incêndio de grandes proporções que devastou parte da floresta de Fontainebleau, nos arredores de Paris. Um deles, que é bombeiro voluntário, admitiu ter iniciado o fogo propositalmente, causando "profunda consternação" na opinião pública local. Sindicatos e entidades do setor classificaram o caso como "simplesmente inaceitável" e uma "traição à população".
Apesar de ambos terem confessado, os suspeitos, a princípio, não têm ligação entre si e teriam colocado fogo em pontos distintos da floresta. O primeiro admitiu ter "iniciado um incêndio acidentalmente ao jogar fora seu cigarro", na região de Faisanderie.
Já o segundo, que atuava como bombeiro voluntário em Fontainebleau, confessou ter "ateado fogo a gravetos usando um isqueiro e gasolina" em Arbonne-la-Forêt, de acordo com a promotora Diane Ngomsik.
"Enquanto estavam sob custódia policial, eles admitiram seu envolvimento" e "comparecerão diante de um juiz de instrução no tribunal de Fontainebleau", escreveu a promotora em um comunicado.
Nesta quarta-feira, a promotoria regional anunciou que havia solicitado a prisão preventiva dos dois suspeitos, que não têm antecedentes criminais.
Um inquérito judicial foi aberto contra eles por "destruição por incêndio". Ao todo, seis pessoas, incluindo os dois jovens, estão sendo investigadas. Os outros poderão ser apresentados a um juiz na quinta-feira (16), segundo a promotora pública local.
"Traição à população"
O incêndio começou no domingo (12) perto de uma rodovia, forçando o fechamento de um trecho da estrada e devastando mais de 2 mil hectares de área florestal na região de Fontainebleau. Centenas de agentes foram mobilizados no combate às chamas, parcialmente contidas.
O suspeito que atuava como bombeiro voluntário foi "suspenso" de suas funções, informou o Serviço de Resgate de Seine-et-Marne (SDIS). Diante do caso, o porta-voz da entidade, Paul-Edouard Laurain, expressou "sua mais profunda consternação".
"Há um sentimento de rejeição e um pouco de vergonha pelo fato de ter sido um dos nossos, alguém que estava na corporação há menos de um ano", relatou Laurain em entrevista à AFP.
O possível envolvimento de um colega de farda no incêndio "deixou os bombeiros locais chocados", escreveu a rádio Franceinfo.
"Enquanto todas as forças mobilizadas lutam há vários dias contra incêndios de magnitude excepcional, esses fatos, caso sejam confirmados pela justiça, revestem-se de uma gravidade toda especial diante dos riscos corridos pela população, [...] bem como pelos bombeiros e por todo o pessoal envolvido no local", lamentou à emissora o porta-voz do SDIS, classificando o ato como "traição à população".
Ainda de acordo com a Franceinfo, o Sindicato dos Bombeiros Voluntários da França afirmou que "tal comportamento, se for comprovado, é simplesmente inaceitável".
Nesta quarta-feira, cerca de 500 bombeiros permaneciam em terra na região de Noisy-sur-École, mobilizados para evitar que o fogo reacendesse.
RFI com AFP
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