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Após 2 mulheres no poder, Irlanda tem recorde de candidatos

25 out 2011 - 20h27
(atualizado às 21h01)
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A presidência da Irlanda é um cargo de caráter simbólico que já teve o prestígio de ser ocupado por duas mulheres - a atual chefe de Estado, Mary McAleese, e sua antecessora, Mary Robinson - e que agora é disputado por um número recorde de sete candidatos. Como todo cargo cerimonial, a presidência irlandesa exige rígidos critérios para o titular, a maioria relacionadas ao papel diplomático de quem a desempenha. Duas mulheres de forte personalidade deixaram sua marca e demonstraram que, desse cargo, é possível influenciar os rumos da nação e reforçar sua imagem no exterior.

Essa característica pode explicar por que, pela primeira vez na história da Irlanda, um número recorde de sete candidatos disputa um mandato de sete anos na magnífica mansão de Áras an Uachtaráin (Residência Oficial, em língua gaélica), situada no coração do Phoenix Park, em Dublin. McAleese ganhou o pleito de 1997, mas esta norte-irlandesa católica, hoje com 60 anos e declaradas simpatias à causa nacionalista da Irlanda do Norte, era praticamente uma desconhecida para o eleitorado da República.

Ela surpreendeu à época como candidata inesperada do partido conservador Fianna Fáil e como pupila de Mary Robinson (1990-1997), que meses antes tinha renunciado ao cargo para ocupar o posto de alta comissária dos Direitos Humanos das Nações Unidas.

A boa condução da campanha política e o impacto do lema "Building Bridges" (Construindo Pontes) permitiu uma vitória histórica a McAleese, apesar das acusações feitas então por seus rivais sobre sua suposta simpatia pelo Sinn Féin, antigo braço político do já inativo Exército Republicano Irlandês (IRA).

O passar do tempo mostrou, além disso, que as duas políticas deixaram sua marca com estilos e agendas diferentes. A ainda ocupante da presidência caracterizou-se durante seus dois mandatos consecutivos por sua política de aproximação com a comunidade protestante-unionista da Irlanda do Norte, ganhando sua simpatia e reconhecimento.

Não era fácil, pois sua presidência começava apenas um ano antes da assinatura do Acordo de Belfast (1998) e os políticos do norte e do sul da ilha ainda não sabiam que estavam a ponto de iniciar quase uma década de um complicado processo de paz.

Em 2008, a formação de um Governo norte-irlandês de poder compartilhado entre católicos e protestantes colocava fim a este processo na província britânica e aplainava o caminho para que McAleese pudesse concentrar seus esforços em realizar um antigo sonho.

A presidente garantiu a normalização das relações entre Irlanda e Reino Unido em maio passado, ao motivar uma viagem da rainha Elizabeth II à Irlanda, na primeira visita de um monarca britânico desde a independência, há 90 anos. O certo é que parte de seu sucesso cabe a Robinson.

Até o fim dos anos 1980, as relações entre os dois países permaneceram frias por uma simples questão histórica e de terminologia, já que Dublin insistia em denominar o cargo como "presidência da Irlanda", o que incluía a Irlanda do Norte, enquanto Londres intitulava-o como "Presidência da República da Irlanda".

A disputa provocou a redução substancial dos contatos em nível de chefes de Estado, círculo vicioso rompido por Robinson, que comparecia regularmente a atos públicos no Reino Unido e aceitou, em 1995, um convite da rainha ao Palácio de Buckingham.

Estabeleciam-se assim as bases para que McAleese, 16 anos depois, pudesse receber a monarca com garantias e o apoio da maioria do povo irlandês.

Os historiadores também reconhecem Robinson, sempre ligada ao trabalhismo, por sua contribuição para acabar com a polarização partidária marcada por quase todos seus antecessores no cargo, todos eles homens.

No entanto, talvez sua maior contribuição à presidência irlandesa tenha sido o trabalho desenvolvido para promover os direitos humanos no mundo, o que lhe valeu reconhecimento internacional e até de seus rivais, muitos dos quais ainda a consideram a melhor presidente que a Irlanda já teve.

EFE   
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