Europa alerta para avanço de drogas sintéticas e França amplia lista de proibições de entorpecentes
A Agência da União Europeia sobre Drogas (EUDA) alertou nesta terça-feira (9) para os riscos associados à ampla disponibilidade de substâncias psicoativas cada vez mais diversificadas no continente, enquanto a França anunciou a proibição de sete derivados sintéticos da triptamina, uma substância alucinógena relacionada a casos graves de intoxicação e até uma morte.
Em seu relatório anual, a EUDA afirma que o mercado europeu de drogas está se tornando mais complexo e imprevisível, com o surgimento constante de novas substâncias e mudanças nas rotas utilizadas pelos traficantes.
Segundo o documento, ao menos 7.600 pessoas morreram por overdose em 2025 nos 27 países da União Europeia, além da Noruega e da Turquia. O relatório destaca ainda a crescente variedade de drogas disponíveis no mercado ilegal e alerta para o aumento dos riscos associados ao consumo simultâneo de diferentes substâncias.
"Os mercados de drogas evoluem em ritmo acelerado, e a diversidade de substâncias nas ruas europeias torna-se cada vez mais imprevisível", afirmou a diretora-executiva da EUDA, Lorraine Nolan. "Os consumidores podem ingerir drogas extremamente potentes sem sequer ter consciência disso."
Novidades sintéticas
A agência informou que novas substâncias psicoativas continuam sendo identificadas a uma média de uma por semana. Apenas em 2025, cinquenta novos compostos foram detectados pela primeira vez na Europa, elevando para 1.050 o total de substâncias monitoradas pelo sistema europeu de alerta precoce.
Entre as principais preocupações estão os canabinoides sintéticos e semissintéticos, frequentemente comercializados em cigarros eletrônicos e produtos comestíveis, como doces e outros alimentos. Segundo a EUDA, essas substâncias aumentam o risco de efeitos adversos graves e podem atrair consumidores mais jovens.
Os opioides sintéticos também preocupam as autoridades. Em 2025, sete novos compostos desse tipo foram identificados na Europa, incluindo nitazenos, drogas associadas a overdoses fatais em diferentes países.
Outro fenômeno observado é o aumento do uso recreativo da quetamina, medicamento empregado em anestesia. Embora o consumo geral permaneça relativamente baixo, a substância tem ganhado espaço em ambientes frequentados por jovens e em locais de entretenimento noturno.
O relatório também mostra que a cocaína continua amplamente consumida no continente. Cerca de 4,3 milhões de europeus entre 15 e 64 anos usaram a droga no último ano.
No campo do tráfico, a agência identificou uma diversificação das estratégias adotadas por organizações criminosas. Os grupos passaram a utilizar portos menores, embarcações rápidas, drones, semissubmersíveis e métodos mais sofisticados de ocultação para evitar a fiscalização. As apreensões de cocaína caíram de 419 toneladas em 2023 para 330 toneladas em 2024, mas o número de operações aumentou, sugerindo que os traficantes estão optando por remessas menores e mais fragmentadas.
No mesmo dia, a Agência Nacional de Segurança de Medicamentos e Produtos de Saúde da França (ANSM) anunciou que sete derivados sintéticos da triptamina passarão a integrar a lista de entorpecentes proibidos no país a partir desta quarta-feira (10).
A decisão foi tomada após a identificação de um aumento dos efeitos adversos graves associados ao consumo dessas substâncias. Entre 2020 e 2024, o sistema francês de vigilância registrou 27 notificações relacionadas às triptaminas sintéticas, das quais 16 envolveram situações graves, incluindo 11 hospitalizações, um caso com risco de morte e um óbito ocorrido após o consumo combinado de várias drogas.
As notificações continuaram a crescer em 2025, quando foram registrados 13 novos casos.
Consumo provoca distúrbios
Os compostos proibidos são conhecidos pelas siglas AMT, 4-AcO-DMT, 4-HO-MET, 4-HO-MiPT, 5-MeO-DMT, 5-MeO-MiPT e 5-MeO-DiPT. Sua fabricação, comercialização, posse e uso passarão a ser ilegais em território francês.
As triptaminas existem naturalmente em algumas plantas, cogumelos e animais, mas versões sintéticas produzidas em laboratório apresentam efeitos alucinógenos mais intensos e maior potencial de causar intoxicações. Elas podem ser vendidas em pó, líquido ou incorporadas a alimentos como chocolates e balas.
Segundo a ANSM, o consumo dessas substâncias pode provocar distúrbios neurológicos, psiquiátricos, cardiovasculares, digestivos e musculares. Entre os sintomas relatados estão alucinações, crises de ansiedade, delírios, perda de consciência, taquicardia, hipertensão e, em casos extremos, coma ou tentativa de suicídio.
As autoridades europeias e francesas defendem o reforço das políticas de prevenção, tratamento e reinserção social diante da rápida expansão do mercado de drogas sintéticas e do aumento dos riscos para a saúde pública.
com AFP
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