EUA intensificam ofensiva diplomática em Israel sob a sombra da tensão com o Irã
Uma ofensiva diplomática norte-americana em todas as frentes em Israel neste fim de semana. Enquanto o governo Trump tenta impor sua visão para o pós-guerra em Gaza, a ameaça iraniana ressurge com a chegada de altos responsáveis militares.
Michel Paul, correspondente da RFI em Jerusalém
É uma dupla visita de grande importância que ocorre em Jerusalém. De um lado, o eixo político: os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner chegaram diretamente dos Emirados. Diante do primeiro-minsitro isralense, Benjamin Netanyahu, eles pretendem ativar a "fase 2" do plano de paz de Donald Trump.
O objetivo é claro: acelerar os esforços para inundar Gaza de ajuda humanitária e garantir que o primeiro-ministro israelense não recue sobre a reabertura da passagem de Rafah. Israel foi surpreendido pelo anúncio americano sobre esse tema e exige explicações. A agenda é clara, porém complexa: obter o desarmamento definitivo do Hamas e, sobretudo, o retorno do corpo de Ran Gvili, o último refém mantido no enclave. Um meio de encerrar esse capítulo doloroso para a sociedade israelense.
A sombra de Teerã paira sobre essas discussões. O general Brad Cooper, chefe do Comando Central dos Estados Unidos, também está no país para uma visita relâmpago. Seu dossiê prioritário é o Irã e a violenta repressão das manifestações pelo regime. Esses dois temas — Gaza e Irã — serão analisados pelo gabinete de segurança israelense, que deve se reunir no final da tarde.
A diplomacia discreta, porém ativa, dos países do Golfo
Os Estados Unidos também precisam lidar com outro ator regional: as monarquias do Golfo, que se opõem a uma intervenção americana. Diante do aumento da tensão entre Washington e Teerã e da possibilidade renovada de ataques americanos ao Irã, a diplomacia das monarquias árabes do Golfo permanece discreta, mas necessariamente ativa.
No início deste mês, quando o tom de Donald Trump se tornou ameaçador em relação à República Islâmica, foram a Arábia Saudita, o Catar e Omã que entraram em ação para afastar a perspectiva de uma intervenção militar americana. E após Trump aparentar descartar ataques iminentes, um alto representante saudita afirmava que "a comunicação prosseguia a fim de consolidar a confiança conquistada e o clima positivo atual".
Para esse responsável, um ataque contra o Irã teria aberto caminho "para uma série de graves repercussões na região". As monarquias árabes do Golfo temem possíveis represálias iranianas contra interesses americanos situados em seus territórios, mas sobretudo temem as consequências econômicas. Elas buscam — a Arábia Saudita à frente — uma estabilidade política que favoreça investimentos. E a suspensão de voos para aeroportos da região nas últimas horas evidencia o quanto esses países estão expostos às mudanças no clima de segurança regional.