EUA criam força-tarefa para ampliar bloqueio ao Irã e tentar fechar rotas terrestres de abastecimento
Os Estados Unidos anunciaram a criação de uma nova força-tarefa destinada a bloquear as rotas terrestres usadas pelo Irã para transportar armas, tecnologias sensíveis e mercadorias consideradas ilegais. A iniciativa marca uma nova etapa da estratégia americana de pressão sobre Teerã, ao estender para as fronteiras terrestres e para o Mar Cáspio um cerco que até agora se concentrava principalmente nos portos iranianos.
Os Estados Unidos criaram a força-tarefa Task Force Iron Gate para ampliar o cerco econômico e militar contra o Irã. Após meses de bloqueio naval que barraram bilhões de dólares em petróleo, a nova unidade visa fechar rotas terrestres e pelo Mar Cáspio, impedindo o contrabando de armas e materiais sancionados que abastecem as forças iranianas. Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã minimizou a ação americana, afirmando que o plano é ineficaz e não isolará o comércio com os países vizinhos.
A decisão foi anunciada pelo comandante do Comando Militar dos Estados Unidos para o Oriente Médio (CENTCOM), Brad Cooper. Em comunicado divulgado no sábado (7), ele informou a criação da Task Force Iron Gate ("Força-Tarefa Portal de Ferro"), uma estrutura formada por cerca de 20 militares e civis que ficará sediada em Tampa, na Flórida.
Segundo o CENTCOM, a missão será coordenar ações com outras agências do governo americano para impedir a circulação de sistemas de armas avançados, tecnologias de uso duplo, materiais sujeitos a sanções e receitas consideradas ilícitas através das fronteiras terrestres iranianas e do Mar Cáspio.
"A criação da Task Force Iron Gate reforça o sucesso do nosso bloqueio implacável contra o Irã no mar", afirmou Brad Cooper. Segundo ele, o reforço da cooperação entre os órgãos americanos "limitará ainda mais a capacidade do Irã de financiar o terrorismo, reconstruir fábricas de armamentos e reabastecer suas forças militares".
A medida amplia uma campanha de pressão já em curso. Os Estados Unidos impõem sanções econômicas severas ao Irã e mantêm, desde julho, um bloqueio naval aos portos do país no contexto da guerra entre Washington e Teerã, iniciada em fevereiro após ataques israelenses e americanos contra alvos iranianos. De acordo com o CENTCOM, esse bloqueio marítimo impediu a exportação de mais de US$ 25 bilhões em petróleo bruto iraniano nos últimos meses.
Cerco além do mar
A nova estratégia reflete a preocupação de Washington com a utilização de rotas alternativas pelo Irã para abastecer sua indústria militar e contornar as sanções. Especialistas citados pela imprensa americana afirmam que, diante das restrições impostas nos portos do Golfo, Teerã tem recorrido cada vez mais a corredores comerciais que passam pelo Paquistão, pela Ásia Central e pelo Mar Cáspio.
O Mar Cáspio é considerado um desafio particular para os Estados Unidos porque não está sob influência direta das forças navais americanas, ao contrário do Golfo Pérsico e do Estreito de Ormuz. A região permite conexões comerciais entre o Irã e países como Rússia, Azerbaijão e Turcomenistão.
Embora o comando americano não tenha detalhado como a nova força atuará na prática, documentos divulgados pelo CENTCOM indicam que o monitoramento poderá envolver as fronteiras iranianas com o Iraque, a Turquia, a Armênia, o Azerbaijão, o Paquistão, o Afeganistão e o Turcomenistão.
Reação iraniana
O anúncio provocou reação imediata em Teerã. O porta-voz da Guarda Revolucionária Iraniana, Hossein Mohebi, minimizou a iniciativa e afirmou que os Estados Unidos não conseguirão isolar economicamente o país.
"O plano Iron Gate é apenas um jogo de palavras", declarou o porta-voz à agência iraniana Fars. Segundo ele, Washington não será capaz de provocar o colapso da economia iraniana nem de interromper as comunicações e o comércio entre o Irã e seus países vizinhos.
Para analistas, a criação da força-tarefa demonstra que os Estados Unidos buscam agora fechar as alternativas logísticas disponíveis para Teerã após meses de bloqueio marítimo. O objetivo é dificultar não apenas a importação de componentes para a indústria de defesa iraniana, mas também a reconstrução das capacidades militares do país após os danos provocados pelos ataques realizados desde o início do conflito.
Com AFP e RFI
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.