Estudo mostra efeitos da política da China contra minoria uigur

Documento publicado acidentalmente mostra 'genocídio cultural'

4 mar 2021
10h50 atualizado às 11h38
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10h50 atualizado às 11h38
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Um estudo publicado pela Universidade de Nankai em meados de 2020 sobre o plano chinês contra a minoria uigur foi divulgado de maneira online de maneira acidental e mostrou que o governo está agindo para dispersar os muçulmanos pelo território, além de colocá-los sob trabalho forçado.

Protestos ao redor do mundo criticam políticas da China contra minoria muçulmana uigur
Protestos ao redor do mundo criticam políticas da China contra minoria muçulmana uigur
Foto: EPA / Ansa - Brasil

O documento foi obtido por diversos jornais britânicos e norte-americanos, entre eles o "The Guardian", a "BBC" e o "The New York Times". O estudo havia sido retirado de todas as plataformas de consultas da China, mas uma cópia permaneceu online porque o pesquisador alemão Adrian Zenz conseguiu salvá-la.

"Os programas de trabalho forçado e os protocolos de transferência de locais de trabalho criados por Pequim e aplicados em Xinjiang são projetados, ao menos em parte, para reduzir a concentração populacional da minoria uigur na região", diz parte do texto, acrescentando que a medida "não só reduz a população uigur em densidade, mas também é um método importante para influenciar, dissolver e assimilar minorias".

Em outros termos, destaca que essas "minorias mudam gradualmente o seu pensamento e a sua compreensão, transformando os seus valores e as suas visões de vida através de uma mudança constante do ambiente ao redor e através do trabalho".

O estudo ainda acrescenta que as políticas de Pequim estão "provocando um genocídio cultural".

A China sempre negou que cometesse qualquer tipo de violação nos centros de educação e trabalho dos uigures, alegando que o programa visava exclusivamente a erradicação da pobreza na população. Porém, cada vez mais países e organizações internacionais denunciam crimes contra os direitos humanos da minoria muçulmana.

Pouco antes de deixar o cargo, o ex-secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo classificou a situação de Xinjiang como um ato de "genocídio e crimes contra a humanidade". Com a presidência de Joe Biden, o novo secretário, Antony Blinken, não usou termos tão fortes, mas disse que os EUA acompanham a situação com atenção. .
   

Ansa - Brasil   
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