Ex-espião que elaborou dossiê sobre Trump é "muito bem avaliado", diz jornal
Christopher Steele, o ex-espião do MI6, o serviço secreto do Reino Unido, que aparentemente elaborou o dossiê sobre o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, é um profissional "muito bem avaliado" e considerado um dos melhores especialistas em assuntos russos, disse um amigo seu ao jornal "The Guardian".
O ex-agente do serviço secreto britânico, de 52 anos, foi identificado por veículos de imprensa dos EUA e do Reino Unido como o autor do polêmico relatório sobre os supostos vínculos de Trump com os ciberataques russos durante a campanha eleitoral americana.
Segundo a imprensa britânica, Steele está escondido porque teme represálias da Rússia, mas os companheiros que trabalharam com ele destacaram que trata-se de um profissional muito rigoroso, alguém que acreditam ser incapaz de passar informações falsas.
Um ex-funcionário do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido que conhece Steele há 25 anos e é seu amigo disse ao "Guardian" que é "falso" pensar que o ex-espião possa ter transmitido informações sem fundamento.
"A ideia de que seu trabalho é falso é totalmente inexata. Chris é um profissional com experiência e muito bem avaliado. Não é o tipo de pessoa que costuma fazer fofoca", disse o antigo funcionário sem revelar sua identidade.
"Se ele escreve algo em algum relatório, é porque acredita que isto é suficientemente crível para que mereça ser considerado. Chris é uma pessoa muito direta", acrescentou a fonte.
Embora as informações sobre Steele sejam escassas, a imprensa afirma que ele é formado pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e um dos mais destacados especialistas em Rússia no MI6, serviço que deixou em 2009 para se dedicar a atividades particulares.
Além disso, Steele viveu dois anos na Rússia no início da década de 1990 e conseguiu construir uma rede de contatos graças a velhas técnicas, como sair, conhecer gente, fazer amigos e pagar por informações, afirmou o "The Guardian".
O ex-agente do MI6 é um dos fundadores da companhia de investigação Orbis Business Intelligence Ltd, com sede em Londres, especializada em realizar investigações para empresas.
Segundo os veículos de imprensa, foi ele quem preparou o documento que afirma que o Kremlin se relacionou com a campanha eleitoral de Trump e que os serviços secretos russos têm material sensível sobre o presidente eleito que poderia ser utilizado contra ele.
O trabalho de Steele foi financiado, segundo os veículos de imprensa, primeiro pelos republicanos contrários a Trump, e depois pelos democratas, durante a campanha eleitoral dos EUA no ano passado.
O presidente eleito, que assumirá o cargo no próximo dia 20, qualificou as acusações de falsas.
O dossiê de Steele, de 35 páginas, contém vários relatórios elaborados durante um período de seis meses, ao qual jornalistas nos EUA tiveram acesso, mas o mesmo só obteve crédito quando as emissoras americanas informaram que Trump e o ainda presidente Barack Obama receberam do FBI um resumo de seu conteúdo.
Trump admitiu na quarta-feira que a Rússia está por trás dos ciberataques nas eleições, mas negou qualquer vínculo com eles, enquanto atacou alguns meios de comunicação que publicaram essa informação, os tachando de "lixo".