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Estados Unidos

Ex-companheiro de Bin Laden prevê radicalização da Al-Qaeda

3 mai 2011 - 12h54
(atualizado às 13h23)
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Um ex-companheiro de Osama bin Laden afirmou à AFP que este último já não controlava a Al-Qaeda, que passará a ser dirigida pelo egípcio Ayman al-Zawahiri, que deve optar por posturas mais radicais.

Foto: Reuters

"Ao matar Osama Bin Laden, os americanos deram um pretexto ideal a Zawahiri, que é ainda mais extremista, para executar operações de vingança", declarou Huthayfa Azzam, 41 anos, filho de Abdalah Azzam, um dos mentores de Bin Laden.

Huthayfa considera que "Bin Laden havia deixado há vários anos de controlar a Al-Qaeda", que "ficou nas mãos férreas do egípcio Zawahiri".

"O próprio filho de Bin Laden, Omar, me contou quando decidiu voltar a seu país, Arábia Saudita. Explicou-me que tomou esta decisão porque seu pai estava perdendo o controle da Al-Qaeda", completou o jordaniano de origem palestina.

"Ao contrário de Zawahiri, Bin Laden era alguém com quem os Estados Unidos poderiam ter dialogado. Ou por acaso não negocia com palestinos que no passado desviaram aviões ou usaram armas?", questiona.

"Penso que acontecerá um recrudescimento das operações contra o Ocidente e, sobretudo, contra o Paquistão, já que a Al-Qaeda considera que foi este país que matou Bin Laden".

Mas Huthayfa não acredita em atentados nos países árabes, já que a rede percebeu que "este tipo de operação prejudicou sua imagem com a opinião pública árabe".

Filho do chamado "emir dos mujahedines", Huthayfa se afastou da Al-Qaeda há mais de 10 anos. "Divergências ideológicas me levaram a romper com a Al-Qaeda em 1998, mas mantive relações com Bin Laden, que continuava em contato comigo e com minha mãe", explicou.

Bin Laden abandonou a Arábia Saudita, em 1984, seguindo os passos de Abdalah Azzam, que morreu em 24 de novembro de 1989 no Afeganistão com dois de seus filhos, na explosão de um automóvel.

Huthayfa Azzam acusou o Paquistão de fazer "um jogo de gato e rato com os Estados Unidos", repassando de vez em quando alguma informação sobre membros da Al-Qaeda, mas sem por isso prejudicar de verdade a rede, já que sua estratégia se baseia em fazer durar o máximo possível a 'cooperação' antiterrorista com Washington.

"Os paquistaneses sabem que, quando este problema for solucionado, os Estados Unidos vão lidar com eles, já que são uma potência nuclear que preocupa Washington", destacou.

"Aposto que o Paquistão sabe onde está Zawahiri e não vai dizer nada", afirmou, antes de acrescentar que "era impossível que o Paquistão não soubesse que Bin Laden estava em Abbottabad, em uma zona militar".

"Todos os membros da Al-Qaeda que foram detido ou mortos estavam em zonas militares paquistanesas", afirmou Huthayfa.

A comunidade internacional, sobretudo o Paquistão, teme represálias de células da Al-Qaeda após a morte de Osama Bin Laden.

Osama bin Laden é morto no Paquistão

No final da noite de 1º de maio (madrugada do dia 2 no Brasil), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou a morte do terrorista Osama bin Laden. "A justiça foi feita", afirmou Obama num discurso histórico representando o ápice da chamada "guerra ao terror", iniciada em 2001 pelo seu predecessor, George W. Bush. Osama foi encontrado e morto em uma mansão na cidade paquistanesa de Abbottabad, próxima à capital Islamabad, após meses de investigação secreta dos Estados Unidos .

A morte de Bin Laden - o filho de uma milionária família que acabou por se tornar o principal ícone do terrorismo contemporâneo -, foi recebida com enorme entusiasmo nos Estados Unidos e massivamente saudada pela comunidade internacional. Enquanto a secretária de Estado dos EUA afirmava que a batalha contra o terrorismo continua, o alerta disseminado em aeroportos horas depois da notícia simboliza a incerteza do impacto efetivo da morte de Bin Laden no presente e no futuro.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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