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Especial/Como foi o Maio de 1968 na Itália?

Movimento inspirou mundo mais autêntico e justo no país

4 mai 2018 - 16h41
(atualizado às 16h47)
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Por Mauretta Capuano - O Movimento de Maio de 1968, deflagrado na França, deixou diversos traços na humanidade. Nada ficou como era antes dos protestos que eclodiram naquele ano.

Estudantes realizam ato em 'Maio de 1968'
Estudantes realizam ato em 'Maio de 1968'
Foto: Ansa / Ansa - Brasil

E agora, meio século após a contestação que percorreu o mundo todo, ainda se discute seu significado e o legado que deixou. Uma revolução sem precedentes? Bem-sucedida? Fracassada?

De qualquer forma, o movimento mudou o estilo de vida da população, uniu a luta estudantil e operária, modificou os direitos da família e viu nascer o feminismo e aumentar a proteção aos trabalhadores.

Foi um ato social e político de protestos pelos direitos civis, que revelou as contradições da sociedade capitalista avançada. Ocorreu em um mundo em revolta que parecia sem forças e atacado, mas que nunca deixou de proporcionar discussões.

Foram os estudantes universitários que acenderam as chamas da revolução, em meados dos anos 1960, nos Estados Unidos, com protestos contra a Guerra do Vietnã e o nascimento do movimento hippie.

Porém, o ano de 1968 foi um vento contagioso, uma tempestade, que rapidamente eclodiu na Europa Ocidental e teve seu ápice no breve, mas intenso Maio Francês.

Na Itália, as ações aconteceram dois anos antes e duraram mais que aquelas ocorridas na França. A primeira universidade italiana ocupada foi a de Trento, em 1967, ano em que o líder comunista Che Guevara morreu.

Em seguida, a Universidade Católica de Milão, a Faculdade de Letras de Turim e a Faculdade de Letras de Roma foram tomadas. Nos locais, diversas atividades "contracultura" eram desenvolvidas.

A contestação chegou então às ruas e atingiu as fábricas, até que foi levada para Valle Giulia, zona central de Roma. Lá, os confrontos com a polícia, conhecidos como a "Batalha de Valle Giulia", duraram horas, e a repercussão midiática foi imensa.

Ainda que os estudantes não tivessem armamento igual ao da polícia, foram à luta com pedras e galhos de árvores. As imagens da época mostram carros virados e queimados, além de dezenas de feridos.

Na Itália do "milagre econômico", do individualismo e da corrida ao consumo, os jovens foram impulsionados espontaneamente a lutar por um mundo mais autêntico e justo.

Ansa - Brasil
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