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Escândalo de assinaturas eletrônicas falsas abala credibilidade do sistema digital na Turquia

Na Turquia, a gestão pública foi amplamente digitalizada desde os anos 2000. Os cidadãos turcos utilizam o "e-devlet" ("Estado digital"), que seria o equivalente à conta Gov.br, para realizar todos os trâmites administrativos. No entanto, um escândalo de assinaturas eletrônicas falsas expõe a fragilidade do sistema e abala o país.

14 ago 2025 - 13h39
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Na Turquia, a gestão pública foi amplamente digitalizada desde os anos 2000. Os cidadãos turcos utilizam o "e-devlet" ("Estado digital"), que seria o equivalente à conta Gov.br, para realizar todos os trâmites administrativos. No entanto, um escândalo de assinaturas eletrônicas falsas expõe a fragilidade do sistema e abala o país.

Dezenas, ou até centenas de documentos oficiais teriam sido emitidos fraudulentamente após o roubo da identidade digital de altos funcionários,, de diferentes instituições públicas da Turquia. Imagem ilustrativa do tribunal de Ancara, em 30 de junho de 2025.
Dezenas, ou até centenas de documentos oficiais teriam sido emitidos fraudulentamente após o roubo da identidade digital de altos funcionários,, de diferentes instituições públicas da Turquia. Imagem ilustrativa do tribunal de Ancara, em 30 de junho de 2025.
Foto: © AFP - ADEM ALTAN / RFI

Céline Pierre-Magnani, correspondente da RFI em Ancara

Centenas de documentos oficiais teriam sido emitidos fraudulentamente, após o roubo da identidade digital de altos funcionários de diversas instituições públicas da Turquia. O caso ficou conhecido como a "gangue dos diplomas falsos". O escândalo veio à tona após o vazamento, há duas semanas, de duas acusações na imprensa. Até agora, 199 pessoas foram indiciadas.

A investigação, conduzida pela promotoria de Ancara, revelou a existência de uma rede altamente organizada. Desde o final dos anos 2000, os suspeitos emitiram documentos oficiais falsos em troca de pagamentos que chegavam a milhares de euros. Entre os certificados falsificados estão diplomas universitários e carteiras de motorista.

De 5 a 50 anos de prisão

Os casos revelados pela mídia turca escandalizam a opinião pública. A imprensa divulga exemplos de diplomas de engenheiros, advogados, médicos anestesistas e psicólogos que teriam sido fraudados pela quadrilha, permitindo que os beneficiários atuassem em setores para os quais não tinham nenhuma qualificação profissional. Os acusados podem ser punidos com penas de 5 a 50 anos de prisão.

Duas empresas turcas, autorizadas a conceder identidades eletrônicas, estão no centro do escândalo: TÜRKTRUST e E-İMZATR. Essas duas autoridades certificadoras, credenciadas pelo Estado, foram usadas pelos acusados para fraudar assinaturas pertencentes a cerca de trinta altos funcionários. Em seguida, as falsas identidades permitiram o acessoa sistemas normalmente restritos à administração pública.

Origem do problema

Especialistas jurídicos na Turquia denunciam a falta de fiscalização dessas duas empresas por parte da Agência de Tecnologias da Informação e Comunicação.

Além disso, programadores de segurança cibernética classificam como "obsoleta" a prática de usar pen drives para armazenar as assinaturas eletrônicas dos altos funcionários e pedem uma atualização do sistema.

Repercussões políticas

O caso levanta dúvidas sobre a segurança digital do Estado como um todo. As autoridades afirmam que estão trabalhando para desmantelar a rede desde agosto de 2024 e têm publicado boletins de "combate à desinformação" sobre os dados divulgados na imprensa.

Mas o dano já está feito, especialmente porque nomes de figuras públicas aparecem na acusação como beneficiários dos serviços de assinaturas falsas. É o caso de Mehmet Baykara, dono da construtora Malamira, que obteve diversos contratos públicos, incluindo a construção de uma grande barragem no sudeste do país.

A primeira audiência do julgamento da "gangue dos diplomas falsos" está marcada para o dia 12 de setembro, no tribunal de Ancara.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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