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Enfermeira que matou seus 3 filhos tem julgamento anulado nos EUA

Jurados estavam no sétimo dia de deliberação e não chegaram a um consenso sobre o caso de Lindsay Clancy

4 set 2026 - 16h50
(atualizado às 17h05)
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Lindsay Clancy disse que ouviu vozes dizendo para ela cometer o crime.
Lindsay Clancy disse que ouviu vozes dizendo para ela cometer o crime.
Foto: Boston Globe/ Getty Images

O juiz William Sullivan declarou nulo, nesta sexta-feira, 4, o julgamento de Lindsay Clancy, acusada de matar os três filhos pequenos em janeiro de 2023 em Massachusetts, nos Estados Unidos. Segundo informações da agência de notícias americana Associated Press (AP), a decisão ocorreu depois que os jurados informaram que não conseguiram chegar a um veredicto unânime sobre a responsabilidade criminal da mãe. 

Agora, os promotores precisarão decidir se levarão Lindsay novamente a julgamento, se retirarão as acusações ou se buscarão um acordo judicial. Lindsay, de 36 anos e ex-enfermeira obstétrica, não demonstrou reação quando o juiz anunciou a anulação do julgamento. O júri estava no sétimo dia de deliberações.

A decisão ocorreu após uma reviravolta no tribunal. Inicialmente, o juiz Sullivan afirmou que declararia o julgamento nulo, mas mudou de posição e permitiu que a defesa recorresse à Suprema Corte Judicial de Massachusetts. O pedido de emergência, porém, foi rejeitado.

O julgamento durou mais de um mês e despertou grande interesse nos Estados Unidos, especialmente pelas discussões sobre saúde mental materna e psicose pós-parto.

Defesa alega psicose pós-parto

O advogado de Lindsay, Kevin Reddington, nunca contestou que sua cliente tenha matado os três filhos. A estratégia da defesa foi argumentar que ela não deveria ser responsabilizada criminalmente porque sofria de psicose pós-parto, uma condição psiquiátrica grave que pode ocorrer após o nascimento de um bebê. 

Trata-se de uma doença mental rara associada ao estresse, a privação de sono e as alterações hormonais pós-parto. Segundo a defesa, Lindsay estava em um estado psicótico no momento dos assassinatos e não tinha capacidade de compreender ou controlar seus atos.

Defesa alega que Lindsay Clancy sofria de psicose pós-parto.
Defesa alega que Lindsay Clancy sofria de psicose pós-parto.
Foto: Boston Globe/ Getty Images

Os promotores apresentaram uma versão diferente. Para a acusação, Lindsay agiu deliberadamente ao estrangular os filhos Dawson, de 3 anos, Cora, de 5, e Callan, de 8 meses,em 24 de janeiro de 2023 e, em seguida, tentar tirar a própria vida.

A promotoria afirmou que ela planejou o momento dos crimes ao mandar o marido, Patrick Clancy, sair de casa para buscar medicamentos para um dos filhos e comprar o jantar da família. Os promotores também questionaram a gravidade da tentativa de suicídio.

Saúde mental antes dos assassinatos

Durante os 21 dias de depoimentos, os jurados ouviram relatos sobre a deterioração da saúde mental de Lindsay após o nascimento de seu terceiro filho, Callan.

Ela demonstrava preocupação com o retorno ao trabalho, sofria com falta de sono e relatava uma sensação de “névoa mental”. Lindsay procurou profissionais especializados em transtornos de humor pós-parto e recebeu diferentes medicamentos psiquiátricos.

Familiares também testemunharam sobre a situação. Susan Clancy, ex-sogra da acusada, descreveu-a como uma “mãe muito carinhosa e amorosa” que estava “implorando por ajuda”.

No início de janeiro de 2023, Lindsay chegou a ser internada em um hospital psiquiátrico para receber tratamento mais intensivo. Porém, recebeu alta e 19 dias depois matou os três filhos, abandonando os corpos no porão da cada da família em Duxbury, Massachusetts.

Após o crime, Lindsay pulou da janela do segundo andar da casa, ficando paraplégica.

Especialistas divergiram

Na reta final do julgamento, a disputa entre acusação e defesa se concentrou nos depoimentos de especialistas em psiquiatria e psicologia forense.

Kirk Heilbrun, psicólogo forense contratado pela promotoria, afirmou que não acreditava que Lindsay estivesse ouvindo vozes ordenando que cometesse os assassinatos, como relatou. 

Segundo Heilbrun, Lindsay teria matado as crianças como parte de uma decisão relacionada à própria tentativa de suicídio, acreditando que elas não deveriam ficar sem a mãe.

Já o psiquiatra forense Phillip Resnick, testemunha da defesa, afirmou que Lindsay estava “claramente psicótica” e não tinha controle sobre suas ações. “Era quase como se ela fosse uma marionete e alguém estivesse puxando os fios”, afirmou Resnick, que entrevistou Lindsay durante horas após os assassinatos. 

Marido diz ter perdoado Lindsay

No início do julgamento, Patrick Clancy descreveu o momento em que voltou para casa e encontrou os filhos.

A promotoria apresentou aos jurados uma gravação de aproximadamente sete minutos da ligação de Patrick para o serviço de emergência. Na chamada, é possível ouvi-lo descobrir os corpos das crianças.

Segundo a AP, apesar da tragédia, Patrick afirmou publicamente que perdoou a esposa e acredita que as ações dela foram consequência de sua doença mental.

Fonte: Portal Terra
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