Em nova onda de violência na Cisjordânia, casal e dois filhos são mortos por militares israelenses
A Cisjordânia enfrenta uma nova escalada de violência contra palestinos, atribuída tanto a colonos quanto às forças de segurança israelenses. Autoridades locais relatam ao menos dez mortos desde o início deste mês. Entre os episódios mais sangrentos deste período, militares israelenses mataram quatro membros de uma mesma família neste domingo (15).
Com informações de Michel Paul, correspondente da RFI em Jerusalém, e agências
A tragédia suscita uma forte indignação na região e agrava ainda mais o chocante número de vítimas no norte da Cisjordânia. Na cidade de Tammun, um casal e seus dois filhos pequenos, de 5 e 7 anos, foram mortos dentro do veículo em que viajavam. Segundo o Ministério da Saúde palestino e o movimento humanitário Crescente Vermelho, o carro da família foi alvejado pelo exército israelense neste domingo.
O número de mortos poderia ter sido ainda maior: outros dois filhos do casal, de 8 e 11 anos, sobreviveram, apesar dos ferimentos por estilhaços de bala. Segundo o Ministério da Saúde local, as vítimas foram levadas para um hospital nas proximidades.
Na região, há uma indignação generalizada com o que se considera uma política deliberada de execução de palestinos, que passa despercebida diante da guerra no Oriente Médio. Dezenas de pessoas se reuniram neste domingo no norte da Cisjordânia para o funeral do pai e mãe de família, 37 e 35 anos, respectivamente, e de dois de seus filhos.
Em um comunicado conjunto, o Exército e a polícia informaram que o episódio ocorreu durante uma operação realizada pela polícia de fronteira e por soldados israelenses, que tentavam deter pessoas suspeitas de envolvimento em ações consideradas terroristas contra as forças de segurança.
Segundo a nota, durante a operação, "um veículo avançou em direção aos agentes", que reagiram atirando e mataram "quatro palestinos que estavam dentro do carro".
O Ministério das Relações Exteriores da Palestina considera que esses "crimes" não são incidentes "isolados", mas fazem parte de uma "agressão global e sistemática". Na véspera, um homem foi morto a tiros por colonos israelenses no município de Qusra, no norte da Cisjordânia.
Tensão aumenta na região desde 2023
As agressões contra palestinos na Cisjordânia, território palestino invadido por Israel desde 1967, intensificaram-se drasticamente desde o ataque do grupo Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza. A violência persiste apesar do cessar-fogo que entrou em vigor no enclave em 10 de outubro.
Em novembro, o exército israelense lançou uma operação contra grupos armados palestinos no norte da Cisjordânia. Nos últimos dias, a região tem testemunhado um aumento nos ataques mortais, em sua maioria perpetrados por colonos israelenses. Seis palestinos morreram por disparos de colonos nas duas últimas semanas, segundo as autoridades locais.
O Ministério da Saúde indica que pelo menos 1.045 palestinos, incluindo muitos combatentes, mas também civis, foram mortos por soldados ou colonos israelenses na Cisjordânia desde o início da guerra na Faixa de Gaza.
Do lado israelense, dados oficiais apontam que ao menos 45 pessoas, entre civis e militares, foram mortas em ataques palestinos ou durante operações de Israel.
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