Em Kherson, na Ucrânia, um breve cessar-fogo traz um raro momento de trégua
Um cessar-fogo de seis dias mediado pelos EUA para permitir ajuda humanitária em Oleshky trouxe uma rara trégua aos constantes ataques russos em Kherson, no sul da Ucrânia. Devastada por anos de bombardeios e drones desde sua retomada em 2022, a capital regional aproveitou a pausa temporária nos combates para retomar brevemente a rotina. Com o alívio das ameaças aéreas, os moradores voltaram a circular pelas ruas, movimentando o comércio local em um inédito momento de tranquilidade na guerra.
Anos de ataques quase diários de drones e artilharia russos transformaram a cidade de Kherson, no sul da Ucrânia, em uma paisagem urbana devastada, onde a morte está sempre à espreita.
Nesta quarta-feira, porém, os moradores que ainda permanecem no local aventuraram-se com cautela pelas ruas banhadas pelo sol, após um cessar-fogo mediado pelos EUA na cidade de Oleshky, próxima à linha de frente, provocar uma pausa temporária na ameaça aérea.
"Sinceramente, não consigo expressar isso em palavras", disse à Reuters a proprietária de um quiosque, Oleksandra Kosenko, durante uma visita nesta quarta-feira. "Se continuar assim, seria realmente maravilhoso."
A Ucrânia informou nesta quarta-feira que o cessar-fogo de seis dias, mediado pela primeira-dama dos EUA, Melania Trump, está sendo mantido, proporcionando um raro momento de alívio no quinto ano de uma guerra desgastante.
A pausa nos combates tem como objetivo abrir caminho para a ajuda humanitária a Oleshky, onde moradores enfrentam grave escassez de alimentos e medicamentos.
RESPIRO CRÍTICO
Para Kherson, capital regional do outro lado do rio Dnipro, em frente a Oleshky, o cessar-fogo -- que entrou em vigor na madrugada de terça-feira -- traz um breve momento de trégua.
Desde que as tropas ucranianas retomaram a cidade da ocupação russa em novembro de 2022, forças de Moscou estacionadas na margem oposta têm bombardeado a cidade regularmente e perseguido os moradores com drones letais, segundo autoridades. Tanto a Rússia quanto a Ucrânia negam ter civis deliberadamente como alvo.
À medida que os ataques continuavam, moradores fugiam e estabelecimentos comerciais fechavam, tornando a vida cotidiana cada vez mais perigosa.
A cidade ainda funciona, com ônibus transportando pessoas e lojas e cafés atendendo clientes. Mas as marcas da guerra são evidentes. Alguns prédios estão em ruínas, as calçadas estão praticamente vazias e redes antidrones estão estendidas sobre as principais vias.
Nesta quarta-feira, moradores passeavam com seus cães sem olhar para o céu. Idosos tomavam café em um banco, sem o barulho de explosões distantes.
"Kherson, que estava constantemente sob fogo, literalmente voltou à vida", disse Dmytro Lubinets, ombudsman de direitos humanos da Ucrânia, no aplicativo de mensagens Telegram.
"As pessoas estão saindo com calma, caminhando, aproveitando o sol de outono. O que para alguns é a rotina cotidiana, para os moradores da região de Kherson hoje é o maior desejo."
Kosenko, a dona do quiosque, disse ter visto o número de clientes quase dobrar: cerca de 50 no total. Ela ficou aliviada por não precisar mais correr para se proteger no caminho para o trabalho.
(Texto de Dan Peleschuk)
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