El Niño 'muito forte': por que os próximos meses preocupam os especialistas em clima
O fenômeno El Niño está agora "solidamente instalado" e deve se fortalecer nos próximos meses, alcançando uma intensidade considerada "muito forte", com quase certeza de que continuará até fevereiro de 2027, alertou a Organização Meteorológica Mundial nesta quinta‑feira (3).
A OMM alerta que o El Niño se intensificará para níveis muito fortes até o fim de 2026, com quase 100% de chance de durar até fevereiro de 2027. O aquecimento recorde das águas do Pacífico deve agravar eventos extremos globais, como secas, inundações e calor excessivo. Com a liberação do calor oceânico para a atmosfera, climatologistas preveem que 2027 pode superar 2024 e se tornar o ano mais quente da história, consolidando um cenário de alto risco climático mundial.
"El Niño vai se intensificar, tornando‑se um fenômeno de intensidade muito forte nos próximos meses, com impactos importantes nos regimes de temperatura e precipitação, além dos riscos associados de inundações, secas e ondas de calor extremo", aponta uma nova atualização da Organização Meteorológica Mundial (OMM). O pico do episódio deve ocorrer no fim de 2026, acrescenta a OMM.
A organização destaca que as últimas previsões sazonais dos centros mundiais de produção da OMM indicam "uma probabilidade excepcionalmente alta", próxima de 100%, de que El Niño se mantenha até fevereiro de 2027.
"El Niño ganha diante de nossos olhos uma dimensão excepcional. A ciência é inequívoca: o planeta avança por águas desconhecidas, e essas águas estão se aquecendo. A temperatura da superfície do mar atinge níveis recordes, as temperaturas continuam subindo e estamos em uma zona de alto risco, onde os fenômenos meteorológicos extremos se tornam a nova norma", alertou o secretário‑geral da ONU, Antonio Guterres.
Fenômeno recorrente
O El Niño é um fenômeno natural que retorna a cada dois a sete anos. As águas superficiais do centro e do leste do Pacífico equatorial se aquecem a partir da primavera, o que provoca, nos meses seguintes, mudanças importantes nos regimes de ventos, pressão e precipitação em escala global.
As temperaturas da superfície do mar nessa área do Pacífico equatorial já estão bem acima da média e continuam em alta. Entre maio e julho de 2026, ficaram em média 1,5°C acima do normal e chegaram a 2°C em julho, aponta a OMM, mencionando também registros entre o fim de julho e meados de agosto entre 2,2°C e 2,6°C acima da média, "o que evidencia a continuidade do fortalecimento do fenômeno".
Sob a superfície do oceano, as temperaturas foram, em algumas zonas, mais de 8°C acima da média em julho e no início de agosto.
Efeitos variáveis
Embora cada episódio do El Niño seja diferente, o fenômeno historicamente provocou ou intensificou secas e riscos de incêndios em regiões da Amazônia, da América Central, da Indonésia e da Austrália; perturbações da monção na Índia; ou chuvas torrenciais no leste da África.
No entanto, a intensidade de um episódio de El Niño não basta para determinar a gravidade de suas consequências em um país ou região, ressalta a OMM. Seus efeitos variam conforme as regiões e as estações e podem ser modificados por outros fatores climáticos, especialmente as condições nos oceanos Índico e Atlântico.
No ano seguinte ao El Niño, o calor acumulado no oceano é liberado para a atmosfera, geralmente contribuindo para elevar as temperaturas globais, razão pela qual muitos climatologistas preveem que 2027 será o ano mais quente já registrado. O ano mais quente até agora foi 2024, após o último episódio de El Niño.
Com RFI e AFP
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.