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Guerra na Síria entra em 2015 mais fragmentada do que nunca

Conflito já deixou mais de 200 mil mortos e milhões de desabrigados

25 dez 2014
14h24
atualizado às 16h00
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Mergulhada num conflito civil desde 2011 , a Síria parece mais uma colcha de retalhos composta de feudos em guerra do que um Estado, deixando as potências externas mais relutantes em intervir apesar de o país se tornar um fator ainda mais desestabilizador para a região.

A guerra obrigou milhares de cidadãos sírios a abandonar suas casas e buscar refúgio em outros países
A guerra obrigou milhares de cidadãos sírios a abandonar suas casas e buscar refúgio em outros países
Foto: Rodi Said / Reuters

Os Estados Unidos finalmente entraram na guerra síria neste ano, três anos depois de o presidente norte-americano, Barack Obama, dizer que o líder sírio, Bashar al-Assad , deveria deixar o poder.

No entanto, os EUA entraram de maneira relutante, para bloquear o avanço dos combatentes do Estado Islâmico no vizinho Iraque, e sem se aliar a Assad.

Com mais de 200 mil mortos e milhões de pessoas que tiveram de deixar suas casas, a desintegração da Síria pode piorar ainda mais no futuro devido à surpreendente queda dos preços do petróleo em dezembro.

A nova pressão econômica pode tornar ainda mais difícil que uma das facções do conflito ganhe uma vantagem decisiva.

As tentativas para encontrar uma “solução política”, que, segundo as potências mundiais, é a única saída para a crise –possivelmente um acordo entre Assad e seus oponentes–, não deram em nada até agora.

No momento, não está claro nem mesmo o que faria parte de uma solução futura. As forças anti-Assad mais poderosas são grupos islâmicos radicais, como o Estado Islâmico e a Frente Nusra, ligada à Al Qaeda.

Para muitos analistas, as potências ocidentais e oponentes regionais do regime sírio, como a Arábia Saudita, veem agora as facções dominantes como grupos que eles não podem apoiar, o que limita as opções desses países.

“A ideia de oposição evaporou para a Arábia Saudita”, afirmou Nasser Qandil, editor de um jornal libanês e ex-parlamentar, que tem boas relações com Damasco. “Eles sabem que as opções são o Estado Islâmico e a Nusra ou o regime. Não há terceira opção.”

Qandil disse que muitos na região e, talvez, até o Ocidente estão optando por uma estratégia de, segundo ele, “recuo”, o que significa deixar os combatentes sírios lutarem por conta própria.

Washington diz que o apoio aos adversários “moderados” de Assad é parte da sua estratégia. Entretanto, ao bombardear o Estado Islâmico diariamente e realizar alguns ataques contra a Frente Nusra, os EUA têm liberado a força aérea síria para lutar em outros locais contras outros oponentes.

As forças de oposição às quais o Ocidente já demonstrou algum apoio estão agora divididas em centenas de grupos, com diferentes ideologias e interesses.

Milícias curdas no nordeste lutam contra o Estado Islâmico de forma coordenada com os EUA, mas têm papel pequeno fora do enclave étnico.

Milícias pró-Assad têm hoje um papel no conflito que nunca tiveram antes. “Cada vez mais lideranças regionais surgem na Síria, e elas estão se tornando mais difíceis para o governo controlar, o que aumenta a pressão sobre o regime”, disse Lina Khatib, diretora de um centro de estudos sobre o Oriente Médio em Beirute. “Acho que 2015 vai ser caos total para a Síria”.

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