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Diáspora israelense se mobiliza: eleitores que vivem no exterior vão retornar ao país apenas para votar

Os israelenses votarão nas eleições parlamentares de 27 de outubro. Trata-se do primeiro pleito no país desde os ataques do Hamas em 2023 e a consequente escalada regional do conflito. Também será o primeiro teste eleitoral do governo mais à direita da história de Israel após completar seu mandato de quatro anos.

21 ago 2026 - 14h22
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Resumo
Sem a opção de voto à distância, milhares de israelenses no exterior estão se mobilizando para viajar ao país e votar nas próximas eleições. O movimento é impulsionado sobretudo por opositores da coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, descontentes com as atuais políticas do governo e com a condução após o 7 de outubro. Em reação a esse fluxo que pode definir o resultado do pleito, o partido governista Likud já estuda medidas legais para contestar a iniciativa.

Nicolas Falez, da RFI, em Paris

Eleitor votando em Israel (imagem ilustrativa de arquivo).
Eleitor votando em Israel (imagem ilustrativa de arquivo).
Foto: © REUTERS / RFI

Muitos israelenses que vivem no exterior já compraram passagens aéreas para participar da votação, uma vez que o voto à distância para expatriados não é permitido. Essa mobilização é observada principalmente entre opositores da coalizão governista.

"Estas eleições vão definir o país", afirma, convicta, Ganit Hirschberg. Morando em Paris há 25 anos, ela acredita que "há muito trabalho pela frente e muitas reformas necessárias" na sociedade israelense. Ela já comprou sua passagem para votar em Israel no dia 27 de outubro, na esperança de ver derrotada a atual coalizão liderada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Esta não é a primeira vez que Ganit Hirschberg viaja para votar em Israel. Desta vez, porém, ela percebe um movimento muito mais amplo entre seus compatriotas que vivem no exterior. E, assim como ela, israelenses ouvidos pela RFI nos Estados Unidos, na França, na Alemanha e no Canadá afirmam já ter reservado seus voos.

A mobilização é visível nas redes sociais e nas conversas do dia a dia, confirma Itai Novik, que vive em Berlim há cerca de quinze anos. Ele também pretende viajar para Israel para votar contra o governo atual.

"Há muito o que dizer, mas o principal é o desastre causado pelos ataques de 7 de outubro. O fato de esse governo continuar no poder três anos depois é uma verdadeira vergonha para o país", afirma. Ele acrescenta que já verificou duas vezes se continua registrado para votar.

Um momento histórico

Incentivados por campanhas online como a "Voe e Vote", esses expatriados querem somar seus votos aos dos compatriotas que criticam o rumo iliberal adotado pelo governo Netanyahu nos últimos quatro anos. Também demonstram irritação com a influência dos judeus ultraortodoxos que, diferentemente da maioria dos israelenses, costumam ser dispensados do serviço militar.

"Eles acreditam que têm direito à isenção, mas não há motivo para que não deem tudo pelo seu país", diz Ganit Hirschberg, que, como a maioria das mulheres israelenses, cumpriu dois anos de serviço militar.

Anna Levi, de 20 anos, viajará com os pais para votar nesse que ela considera um "momento histórico". A jovem estuda no Canadá após ter vivido vários anos em Nova York, para onde sua família se mudou em 2018.

A jovem está convencida de que "o povo israelense já não confia no governo e precisa de mudanças". Participando pela primeira vez de uma eleição parlamentar, ela descreve a votação como decisiva para o futuro do país:

"São eleições que determinarão o destino de Israel. Podemos escolher um país messiânico e racista, que comete crimes de guerra e crimes contra a humanidade, ou podemos escolher um país de esperança e mudança."

Roni também já comprou sua passagem aérea. Ele deixou Israel recentemente, indignado com as políticas da coalizão governista formada por partidos de direita e extrema direita.

"Alguém roubou meu país de mim. É como se eu não o tivesse mais", diz o aposentado de 71 anos, que não possui outra nacionalidade além da israelense.

Vivendo em Paris há três anos e meio, Roni e sua esposa afirmam sentir-se como refugiados. Eles fazem parte das dezenas de milhares de israelenses que deixaram o país nos últimos anos devido ao ambiente político que consideram cada vez mais sufocante. Ainda assim, aguardam apenas uma coisa: uma mudança na maioria governista que lhes permita retornar e viver novamente em seu país, onde seus filhos e netos continuam morando.

Raiva da direita

"Estima-se que um milhão de israelenses vivam no exterior, incluindo 250 mil que deixaram o país nos últimos três anos", afirma Gideon Soesman, lembrando que Israel tem cerca de 10 milhões de habitantes.

Morador de Toronto, no Canadá, onde coordena a campanha internacional do partido de esquerda HaDemocratim ("Os Democratas"), o empresário diz nunca ter visto tamanho entusiasmo pelo voto entre os israelenses expatriados.

"Eles estão fartos da situação, indignados com a ausência de uma comissão de investigação sobre o 7 de outubro de 2023, e sentem profundamente o isolamento de Israel no cenário internacional."

Gideon Soesman está convencido de que dezenas de milhares de eleitores residentes no exterior viajarão para votar. Segundo ele, essa mobilização poderá influenciar o resultado eleitoral e contribuir para a formação de uma coalizão alinhada aos "valores democráticos e liberais" que atribui ao seu país.

Até lá, seu partido fornece informações e incentivo aos futuros eleitores. "Mas, em hipótese alguma, financiamos passagens ou hospedagem, algo que não nos é permitido como partido político", ressalta.

A questão é delicada, pois a perspectiva desses votos vindos do exterior vem acirrando o debate político em Israel. O Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, reagiu com dureza, fazendo alertas cada vez mais contundentes e estudando medidas legais contra o que considera uma tentativa de influenciar o resultado da eleição.

Os partidos governistas e seus apoiadores criticam especialmente as campanhas de mobilização que se espalharam pelas comunidades israelenses no exterior, inclusive aquelas que se apresentam como apartidárias.

Isso preocupa Ganit Hirschberg, a dois meses de embarcar de Paris para Tel Aviv. "E se Netanyahu iniciar uma guerra? Não haverá mais voos. Então teremos de ir nadando."

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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