'Deponham as armaduras e desmascarem a violência', apela Papa em Barcelona
Leão XIV fez apelo à reconciliação durante visita à Abadia de Montserrat
No segundo dia de sua visita a Barcelona, o papa Leão XIV reforçou nesta quarta-feira (10) seu apelo à reconciliação e ao abandono da violência, durante visita à Abadia de Nossa Senhora de Montserrat, após passagem por um presídio na região da Catalunha.
Em sua mensagem alternada em catalão e espanhol, o pontífice convidou fiéis a "depor as armaduras" que endurecem o coração e a seguir um caminho de misericórdia, verdade e reconciliação.
"Deponhamos a armadura que gradualmente endureceu nossos corações. Jesus não usa armadura e na cruz se abandonará para nos salvar com a força desarmada e desarmante do amor", apelou.
Segundo ele, a violência pode se esconder em atitudes cotidianas, como palavras ofensivas, críticas que humilham, condenações que destroem e comportamentos que dividem comunidades. Em muitas vezes "pode estar revestida de uma armadura aparente com a qual buscamos proteger nossas feridas".
"Renunciemos aos insultos, aos julgamentos precipitados, à calúnia e à difamação", afirmou o Papa, destacando ainda a importância de preservar e cultivar o amor em nossas famílias, entre amigos, no local de trabalho, nas redes sociais, nas discussões políticas e nas comunidades cristãs, para que o ódio dê lugar à esperança e à paz".
Durante a cerimônia na Abadia de Montserrat ? importante centro espiritual situado a cerca de 40 km de Barcelona ? o Papa rezou o terço após ser recebido por autoridades eclesiásticas locais e por centenas de fiéis, incluindo um grande grupo de crianças.
O local, tradicionalmente dedicado à veneração da Virgem de Montserrat, possui forte significado histórico e religioso na Catalunha.
A visita também ocorreu em meio a um contexto sensível relacionado a denúncias de abusos no entorno da instituição. O ativista Miguel Hurtado, que denuncia casos ocorridos no passado na Igreja catalã, voltou a criticar a visita papal e chegou a pedir seu cancelamento, afirmando que Montserrat representa um "marco zero" de episódios de violência.
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