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Dados hackeados do FBI contêm informações sensíveis sobre funções de inteligência de funcionários

23 set 2026 - 16h01
(atualizado às 16h37)
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Resumo
O grupo hacker ShinyHunters alega ter invadido o portal FBIJobs.gov e roubado terabytes de dados do FBI, incluindo uma planilha com dados pessoais e funções de milhares de agentes. O vazamento expõe detalhes sensíveis sobre operações confidenciais de contraespionagem contra China e Rússia, vigilância e inteligência humana, colocando agentes em risco ao se tornar um valioso alvo para governos estrangeiros. Ciente da violação, o órgão federal norte-americano investiga ativamente o incidente.

Dados do FBI supostamente roubados pelo grupo de hackers ‌ShinyHunters contêm detalhes minuciosos sobre as atribuições de dezenas de funcionários do órgão, incluindo trabalhos sensíveis contra espiões chineses, serviços de inteligência russos, cartéis de drogas e muito mais, segundo apurou a Reuters.

A planilha de 5.000 linhas — que, segundo os hackers, representa apenas uma pequena parte do acervo de dois a três terabytes que alegam ter — inclui nomes, endereços, números de telefone, datas de nascimento, números de previdência social e detalhes de contato de emergência do que eles afirmam ser milhares de funcionários do FBI. Ela também inclui detalhes sobre ⁠designações para escritórios regionais específicos e, em alguns casos, para unidades envolvidas em trabalhos de alta importância nas áreas de inteligência, segurança ou ‌contraespionagem.

Em comunicado, o FBI afirmou estar ciente de "um grupo criminoso cibernético que alega ter invadido o portal FBIJobs.gov e de um suposto impacto sobre as informações de identificação pessoal dos funcionários do FBI". O órgão afirmou que a causa da violação ainda não foi ‌determinada, mas que está "investigando o caso de forma ativa e agressiva".

Os hackers afirmaram ‌na terça-feira que haviam invadido o FBI, roubando dados de um grande número de funcionários atuais e ex-funcionários do FBI. ⁠O grupo ShinyHunters disse que está mantendo os dados como reféns até que o FBI retire uma declaração desfavorável sobre o grupo, emitida em maio.

O ex-agente de contraespionagem do FBI Eric O'Neill afirmou que os dados supostamente roubados pelo ShinyHunters seriam "uma mina de ouro para serviços de inteligência estrangeiros".

"A China teria um interesse enorme em saber quem são as pessoas que estão trabalhando contra ela", disse O'Neill, que fundou a empresa de segurança cibernética Nexasure AI após sua passagem pelo FBI. Ele previu que outros serviços de inteligência hostis estariam ansiosos ‌para colocar as mãos nos dados, assim como extremistas insatisfeitos nos Estados Unidos.

"Se eu estivesse nessa lista, ficaria muito preocupado", disse ele.

O ShinyHunters ‌afirmou em um comunicado nesta quarta-feira que, enquanto ⁠isso, estava tentando impedir que as ⁠informações pessoais circulassem amplamente.

"Se os 5.000 registros de dados da amostra vazarem, não será por nossa culpa", afirmou o grupo.

Embora a Reuters não tenha ⁠conseguido autenticar a planilha inteira, ela conseguiu verificar individualmente os detalhes de mais de ‌22 pessoas, cruzando informações dos dados hackeados ‌com registros de crédito e vazamentos de dados anteriores divulgados pela plataforma de inteligência da dark web District 4 Labs.

COMBATE AO TERRORISMO, CONTRAESPIONAGEM E VIGILÂNCIA

Alguns dos detalhes das missões nos dados do ShinyHunters são indistinguíveis do que os próprios funcionários poderiam dizer publicamente, mencionando, por exemplo, agentes em escritórios regionais em Baltimore ou Newark, em Nova Jersey. Outros se referiam a subdivisões ⁠do FBI de conhecimento público, como o Centro de Denúncias de Crimes na internet ou a academia do FBI em Quantico, na Virgínia.

Mas, em alguns casos, os dados se referiam a unidades ou iniciativas do FBI que eram confidenciais ou cuja existência não havia sido divulgada anteriormente.

Os dados citam 14 funcionários dedicados a assuntos relacionados à China, incluindo membros da "Unidade de Organizações Criminosas da China", da "Unidade de Análise de Transferência de Tecnologia da China" e da "Seção de Inteligência da ‌China".

Outros nove estão listados como atuando em funções relacionadas à Rússia, incluindo dois na "Seção de Operações da Rússia" e um trabalhando com "Ameaças à Infraestrutura Crítica e à Tecnologia da Rússia". Três pessoas estão listadas como atuando em funções de inteligência focadas no Irã ⁠ou no Hezbollah.

Outros 18 estão listados como trabalhando com tecnologias de "interceptação de dados" ou "interceptação de telecomunicações", ou na unidade de "operações técnicas clandestinas" do FBI, ou em sua "seção de acesso secreto", ou em funções de vigilância por vídeo, áudio ou eletrônica.

Outros 11 funcionários do FBI estão listados como atuando em funções de HUMINT, ou inteligência humana, incluindo vários listados como atuando na "Seção de Gestão de Programas de Humint".

Trevor Hilligoss, um ex-investigador do Exército que trabalhou com o FBI, disse que as informações que vinculam pessoas específicas, cujos nomes foram divulgados, ao trabalho de inteligência humana eram particularmente preocupantes.

"Não é preciso ir muito longe para encontrar exemplos de agentes disfarçados que sofrem danos quando seu disfarce é descoberto", disse ele.

Hilligoss, atualmente diretor de inteligência da empresa de cibersegurança SpyCloud, afirmou que suas preocupações se intensificaram com a inclusão de contatos de emergência — muitas vezes cônjuges ou filhos — "que podem ter menos conhecimento sobre segurança operacional do que seus familiares que atuam em áreas sensíveis".

A Reuters não conseguiu verificar se todas as atribuições de cargo eram autênticas ou atualizadas, mas conseguiu comparar os detalhes da carreira ou cargos de oito pessoas cujos dados vazaram com informações contidas em autos judiciais, artigos de notícias ou perfis públicos no LinkedIn, bem como com publicações online em sites como o Instagram.

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