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Argentina acusa ONU de ignorar crescentes tensões sobre Ilhas Malvinas

23 set 2026 - 15h04
(atualizado em 24/9/2026 às 07h31)
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Resumo
Na Assembleia Geral da ONU, o presidente argentino Javier Milei criticou a entidade por ignorar tensões com o Reino Unido sobre a exploração de petróleo nas Ilhas Malvinas. Milei reiterou a reivindicação de soberania da Argentina, propôs diálogo pacífico e aplicou sanções a empresas do projeto, negando a autodeterminação dos ilhéus. O governo britânico prometeu defender a soberania local, enquanto a oposição argentina acusa Milei de usar a disputa diplomática para obter apoio político interno.

O presidente da Argentina, Javier Milei, criticou nesta quarta-feira as ‌Nações Unidas por "fazerem vista grossa" em meio à escalada das tensões com o Reino Unido sobre a exploração de petróleo nas Ilhas Malvinas, território ultramarino britânico com ampla autonomia cuja soberania é contestada pelos argentinos.

Ao discursar perante líderes mundiais na Assembleia Geral da ONU, Milei reiterou a reivindicação da Argentina sobre as ilhas e afirmou que seus habitantes não têm direito à autodeterminação. Também reforçou seu apelo por ⁠negociações com o Reino Unido em busca de uma solução pacífica para o conflito.

"Estamos optando por uma ‌defesa pacífica, prática e eficaz", disse.

No início deste mês, a Argentina iniciou um processo de sanções contra mais de 60 empresas e pessoas ligadas a um projeto de perfuração de petróleo em alto ‌mar, medida contra a qual autoridades britânicas se opuseram veementemente.

O primeiro-ministro ‌do Reino Unido, Andy Burnham, disse na terça-feira que se manteria firme contra as ações ⁠da Argentina, afirmando que "defenderemos o direito dos habitantes das Ilhas Malvinas à autodeterminação e a permanecerem britânicos".

Milei deve se reunir na quinta-feira com o primeiro-ministro israelense e aliado próximo Benjamin Netanyahu. O projeto de perfuração de petróleo nas Malvinas tem fortes laços com Israel.

A reivindicação de soberania da Argentina sobre as ilhas localizadas no Atlântico Sul, que o país chama de Malvinas, continua sendo fundamental para sua identidade nacional. ‌O país invadiu o arquipélago em 1982 e travou uma guerra de 10 semanas que terminou com a ‌rendição da Argentina ao Reino Unido ⁠e ainda é comemorada ⁠em Buenos Aires por meio de murais nas ruas em homenagem aos soldados mortos.

Em um discurso televisionado neste mês, ⁠Milei afirmou que o projeto de perfuração viola uma ‌resolução da Assembleia Geral da ONU ‌de 1976 que insta os dois países a resolverem a disputa de soberania por meio do diálogo e a evitarem decisões unilaterais.

Seu discurso ocorre dias após o presidente dos EUA, Donald Trump, aliado de Milei, sugerir que Washington pode reconsiderar sua posição tradicionalmente neutra na disputa pelas ⁠Malvinas.

MUDANÇA NA AGENDA

A postura mais dura de Milei marca uma mudança notável para um presidente que vinha sendo criticado por adversários políticos por demonstrar pouco interesse no tema enquanto buscava laços mais estreitos com os EUA e a Europa. Agora, a oposição argentina acusa Milei, que deve concorrer à reeleição em 2027, de usar a disputa para reforçar o apoio ‌interno.

"É simplesmente algo para causar boa impressão aos olhos da sociedade ou para tentar mudar a agenda", disse Guillermo Michel, deputado peronista da oposição na Câmara dos Deputados.

Estudo da consultoria Inteligencia Analítica, ⁠com sede em Buenos Aires, constatou que seu discurso televisionado produziu uma melhora modesta em sua imagem pública.

"A questão das Malvinas na Argentina vai além do discurso do presidente", disse Marcelo Escolar, diretor da empresa.

Na semana passada, Milei apresentou um projeto de lei que visa endurecer as sanções contra participantes ilegais de atividades que utilizem recursos naturais nos espaços marítimos e na plataforma continental da Argentina.

O projeto de lei será encaminhado inicialmente a uma comissão, enquanto o governo avalia suas prioridades legislativas.

Milei não conta com maioria no Congresso, mas conseguiu aprovar importantes reformas econômicas. Marcelo Seghini, assessor de defesa na Câmara dos Deputados, disse que, embora algumas partes do projeto de lei sobre soberania possam ter apoio bipartidário, outras disposições não relacionadas à disputa das Malvinas podem suscitar oposição.

A Navitas Petroleum e a Rockhopper Exploration, proprietárias do projeto Sea Lion na costa das Malvinas, indicaram não esperar que as medidas de Milei prejudiquem o desenvolvimento do projeto.

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