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ONU: Zelensky alerta que a agressão russa pode se espalhar para além da Ucrânia

O presidente ucraniano pediu nesta quarta-feira (23), na Assembleia Geral da ONU, novas sanções contra as finanças russas e medidas para pôr fim à guerra antes que o conflito entre em outro inverno. Mais cedo, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que seu país não se deixará intimidar pelos Estados Unidos.

23 set 2026 - 15h19
(atualizado às 15h34)
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Resumo
Na Assembleia Geral da ONU, Zelensky alertou que a guerra russa pode se espalhar pela Europa e defendeu maior pressão sobre Moscou. Apoiado por França e EUA, o líder ucraniano propôs uma moratória mútua nos ataques a infraestruturas energéticas antes do rigoroso inverno, visando proteger serviços essenciais. Especialistas, contudo, veem poucas chances de adesão russa, já que danificar a rede ucraniana é peça-chave na tática de desgaste de Moscou, enquanto Kiev segue cobrando apoio militar.

Em seu pronunciamento, Zelensky, advertiu que a "guerra ridícula e interminável" da Rússia em breve poderá se espalhar para outras partes da Europa. Ele também pediu o aumento da pressão econômica sobre Moscou para forçar um acordo de paz antes que os combates entrem em mais um inverno marcado por mortes.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, discursa na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), na sede da ONU, em Nova York, nos Estados Unidos, em 23 de setembro de 2026.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, discursa na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), na sede da ONU, em Nova York, nos Estados Unidos, em 23 de setembro de 2026.
Foto: REUTERS - Mike Segar / RFI

Os impasses diplomáticos e os impactos econômicos globais provocados pelos conflitos dominaram as discussões durante a reunião anual da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Na tribuna da Assembleia Geral da ONU, o presidente francês Emmanuel Macron defendeu na terça-feira (22) uma "dupla moratória" sobre ataques contra instalações de energia na Rússia e na Ucrânia. Em seguida, Volodymyr Zelensky informou a Donald Trump que estava "pronto" para suspender os ataques contra instalações energéticas russas, desde que Moscou fizesse o mesmo.

Segundo especialistas, porém, há poucas chances de o Kremlin aderir à proposta.Durante uma entrevista coletiva à margem da Assembleia Geral da ONU, o presidente da Ucrânia afirmou que havia discutido com seu homólogo americano uma "moratória energética". Sem entrar em mais detalhes, disse estar disposto a suspender os ataques caso a Rússia deixasse de atacar as infraestruturas ucranianas de aquecimento, eletricidade e abastecimento de água.

A urgência é maior do lado ucraniano, explica Samir Puri, especialista em geopolítica. As temperaturas podem cair bruscamente nos próximos meses, chegando a -20 °C ou até -30 °C. "E, se a Rússia conseguir atingir as infraestruturas energéticas ucranianas, provocando cortes de eletricidade, algumas cidades ucranianas podem se tornar inabitáveis", alerta.

Após quatro anos de ataques russos, a rede energética ucraniana já está bastante fragilizada. Em 2026, no entanto, Kiev conseguiu atingir refinarias russas localizadas a milhares de quilômetros da linha de frente, provocando importantes carências de petróleo em todo o país.

Moscou teria pouco interesse em uma trégua

Para Samir Puri, esses ataques prejudicam Moscou, mas não necessariamente determinam o resultado da guerra. Em contrapartida, os ataques contra a rede energética ucraniana constituem um importante instrumento de pressão para a Rússia. "Eu diria que a Rússia tem menos interesse em aceitar essa trégua", avalia o especialista, que considera baixas as chances de um acordo desse tipo se concretizar. "Acredito que a Rússia esteja simplesmente enfraquecendo progressivamente a economia ucraniana e dando continuidade a essa guerra de desgaste", acrescenta.

Enquanto aguarda uma eventual trégua, Volodymyr Zelensky continua pedindo mais mísseis interceptadores americanos, os únicos capazes de derrubar os poderosos mísseis balísticos russos.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira que pressionava firmemente Moscou e Kiev para que interrompessem os ataques recíprocos contra as infraestruturas energéticas. Segundo ele, essa poderia ser uma base de discussão "limitada", mas que valeria a pena tentar, enquanto as negociações para um cessar-fogo fracassaram até o momento.

Com RFI

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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