Crime na Itália: tribunal ouve últimas testemunhas de defesa
Oito testemunhas de defesa são esperadas para depor entre o hoje e amanhã no julgamento da americana Amanda Knox e do italiano Raffaele Sollecito. Os dois são acusados de matar a estudante britânica Meredith Kercher, encontrada seminua com um corte no pescoço na casa que dividia com Amanda, em novembro de 2007.
A promotoria acredita que a vítima foi assassinada em um jogo sexual com a participação de Amanda e Sollecito. A principal prova apresentada até agora é uma faca, encontrada na casa do rapaz, com traços do DNA de Meredith na lâmina e do de Amanda no cabo.
A defesa, no entanto, alega que "a prova" pode ter sido contaminada. Além disso, Carlo Torre, professor da Universidade de Turim e responsável pelo laboratório de ciência criminalística da instituição, declarou em seu depoimento que o corte no pescoço da vítima era incompatível com a faca encontrada na casa do acusado.
Os próximos depoimentos devem ser focados em outra suposta prova. A promotoria sustenta que foram encontradas amostras do DNA de Sollecito no fecho do sutiã usado por Meredith. Entre as testemunhas ouvidas nestes dois dias devem estar peritos forenses e uma tia de Amanda que mora na Alemanha.
O julgamento do casal começou em janeiro e mais de 80 testemunhas de acusação foram ouvidas até maio. A defesa reuniu menos da metade de depoentes e alguns não apareceram. Após a audiência de amanhã, o tribunal só deve retomar o caso em setembro, mas acredita-se que a sentença não saia até 2 de novembro, quando a morte de Meredith completa dois anos.
"Fotos macabras"
No início da semana, o advogado da família Kercher descreveu como "macabras" as fotos em frente à casa onde Meredith foi assassinada tiradas por Deanne e Ashley Knox, irmãs de Amanda, para uma revista italiana.
A publicação entrevistou as duas e a mãe da acusada, Edda Mellas, 47 anos,que garantiram ter certeza de que, ao final do julgamento, Amanda voltará para casa, em Seattle, com elas.
O advogado dos Kercher não gostou das fotos das irmãs publicadas pela revista Gente. "Entendo que a família Knox tem o direito de dar entrevistas, mas existem outros locais onde elas poderiam ter sido fotografadas. Do lado de fora da prisão onde está Amanda teria sido melhor", disse Francesco Maresca.
Defesa
Amanda e o ex-namorado negam envolvimento com a morte. Segundo afirmou a americana em seu depoimento, ela passou a noite do crime na casa do namorado e só voltou ao apartamento que dividia com Meredith na manhã seguinte. Ao chegar, disse que encontrou a porta da rua aberta e a do quarto da colega trancada. Além disso, Amanda teria percebido sangue seco na pia e no tapete do banheiro.
Ela afirmou que voltou à casa do namorado, a quem contou o que tinha acontecido e ligou para a polícia. Os dois só teriam retornado ao apartamento quando os investigadores já tinham chegado ao local.