Coreia do Norte realiza novos lançamentos de mísseis e desafia esforços de aproximação de Seul
A Coreia do Norte realizou nesta quarta-feira (8) duas rodadas de lançamentos de mísseis balísticos de curto alcance, informou o Exército sul-coreano, horas depois de detectar um "projétil não identificado" proveniente de Pyongyang, a capital norte-coreana.
Segundo o Exército sul-coreano, a primeira rodada de mísseis balísticos de curto alcance da Coreia do Norte foi lançada às 8h50 (20h50 de terça-feira 7, no horário de Brasília) e os projéteis percorreram 240 quilômetros.
Horas depois, as autoridades sul-coreanas informaram que a Coreia do Norte havia lançado uma segunda rodada de mísseis balísticos no Mar do Leste, conhecido como Mar do Japão, sem fornecer mais detalhes.
A Guarda Costeira japonesa também relatou que um objeto suspeito de ser um míssil balístico foi lançado da Coreia do Norte.
Os lançamentos desta quarta-feira correspondem à quarta e à quinta rodadas de testes de mísseis realizados pela Coreia do Norte neste ano.
O Gabinete de Segurança Nacional da presidência sul-coreana pediu a Pyongyang que cesse imediatamente as provocações. A presidência sul-coreana realizou uma reunião de emergência após os lançamentos e declarou que, diante do conflito em curso no Oriente Médio, as agências competentes foram instruídas a aumentar a vigilância para manter um nível ideal de prontidão.
Seul também exortou a Coreia do Norte a cessar imediatamente seus testes de mísseis balísticos, classificando-os como atos provocativos em violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
Coreia do Sul: "inimigo mais hostil"
Esses disparos ocorrem após Seul ter se desculpado pelas incursões de drones civis na Coreia do Norte em janeiro, que o presidente Lee Jae Myeung classificou como irresponsáveis, ao indicar que autoridades participaram da operação. "Um incidente envolvendo drones civis, que não deveria ter ocorrido, aconteceu sob este governo, e foi confirmado que um oficial do Serviço Nacional de Inteligência e um militar da ativa estavam envolvidos", lamentou ele, na segunda-feira (6).
Após essas declarações, Kim Yo Jong, a influente irmã do líder norte-coreano Kim Jong Un, afirmou que o gesto de Lee foi sensato. No entanto, na terça-feira, um alto diplomata norte-coreano classificou como absurdas as reportagens da mídia sul-coreana que apresentaram os comentários de Kim Yo Jong de forma positiva.
"Isso também entrará para a história como uma interpretação delirante e esperançosa de tolos que choca o mundo", declarou Jang Kum-chol, primeiro vice-ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte, em um comunicado em inglês divulgado pela agência estatal KCNA. Ele reiterou que o Norte considera o Sul seu Estado inimigo mais hostil.
Desde sua eleição em junho, o presidente sul-coreano tem buscado melhorar as relações bilaterais entre os dois países, em contraste com a postura linha-dura de seu antecessor conservador.
"Os lançamentos sucessivos e as declarações recentes de Pyongyang sublinham a determinação da Coreia do Norte em ignorar as tentativas da Coreia do Sul de melhorar as relações intercoreanas", resumiu Lim Eul-chul, especialista em Coreia do Norte da Universidade de Kyungnam.
Em meados de março, as Forças Armadas da Coreia do Sul já haviam detectado aproximadamente dez mísseis balísticos não identificados, lançados da região de Sunan, na Coreia do Norte, em direção ao Mar do Japão, durante exercícios militares conjuntos com os Estados Unidos, manobras que Pyongyang condenou.
Com AFP