Conflito no Irã se expande com ofensiva de Israel ao Líbano após ataques do Hezbollah
Israel lançou novos ataques aéreos contra o Irã e ampliou seu ataque para incluir ofensiva contra militantes do Hezbollah, apoiados pelo Irã, no Líbano, nesta segunda-feira, enquanto Teerã afirmou ter lançado uma nova onda de mísseis que "abriu as grandes portas do fogo" sobre Israel.
Israel disse que estava atacando locais ligados aos militantes xiitas do Hezbollah no Líbano, um dos principais aliados de Teerã no Oriente Médio, depois que o Hezbollah declarou ter lançado mísseis e drones contra Israel em retaliação ao assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.
A agência de notícias estatal libanesa NNA informou que uma contagem inicial mostrou que 31 pessoas foram mortas e 149 ficaram feridas nos ataques, que Israel disse terem como alvo os subúrbios do sul de Beirute controlados pelo Hezbollah. Israel disse que também atacou militantes seniores do Hezbollah.
Israel também lançou mais ataques contra o Irã. Explosões foram ouvidas em diferentes partes de Teerã, com um ataque à cidade iraniana de Sanandaj, na província do Curdistão, matando pelo menos três pessoas, informou a mídia estatal.
Pouco depois das 7h (2h em Brasília), sirenes de ataque aéreo foram acionadas em Israel, incluindo em Tel Aviv e Jerusalém, alertando para um novo ataque iraniano.
Mísseis estavam sendo lançados do centro do Irã em direção a "locais inimigos", informou a mídia estatal iraniana.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã disse em um comunicado que a onda de mísseis teve como alvo o complexo do governo israelense em Tel Aviv, bem como centros militares e de segurança em Haifa e áreas em Jerusalém Oriental, afirmando que esses ataques se expandiriam e que as sirenes de ataque aéreo em Israel "nunca parariam".
O presidente dos EUA, Donald Trump, em entrevistas no domingo a vários veículos de mídia, disse que o ataque militar dos EUA e de Israel a alvos iranianos poderia continuar por pelo menos quatro semanas.
BASE BRITÂNICA NO CHIPRE ATINGIDA, EXPLOSÕES NO CATAR, KUWEIT E EAU
O Kuweit disse que suas defesas aéreas interceptaram drones hostis, enquanto a embaixada dos EUA no Estado do Golfo emitiu um aviso para proteção devido à ameaça de ataques com mísseis e drones hostis.
Testemunhas viram uma forte presença de segurança, ambulâncias e caminhões de bombeiros perto da embaixada dos EUA, enquanto um vídeo obtido pela Reuters mostrava fumaça preta subindo da área circundante.
Testemunhas da Reuters também ouviram explosões altas em Dubai, na capital do Catar, Doha, e em Samha, a cerca de 50 km de Abu Dhabi.
Um ataque com drones atingiu a base da Força Aérea Real Britânica em Akrotiri, no Chipre, durante a noite, causando danos limitados e sem vítimas, informaram o presidente da ilha e o Ministério da Defesa britânico na segunda-feira. Este foi o primeiro ataque à base desde um ataque por militantes líbios em 1986 e uma escalada significativa do conflito.
DIAS PROLONGADOS DE COMBATE À FRENTE
Os ataques retaliatórios do Hezbollah e de Israel, que se seguem a um cessar-fogo mediado pelos EUA em 2024, ampliam o conflito que se espalhou pelo Oriente Médio desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no sábado, fazendo os preços do petróleo dispararem e prejudicando o transporte aéreo.
O chefe do Estado Maior israelense, Eyal Zamir, disse que as operações de combate contra o Hezbollah podem se prolongar por dias.
"Isso requer forte prontidão defensiva e prontidão ofensiva sustentada, operando em ondas contínuas e utilizando constantemente as oportunidades", declarou Zamir em um comunicado.
As Forças Armadas israelenses disseram no domingo à noite que sua força aérea havia estabelecido superioridade aérea sobre Teerã e que uma onda de ataques em toda a capital tinha como alvo centros de inteligência, segurança e comando militar.
Uma fonte informada sobre a operação israelense contra o Irã disse que os ataques até agora têm sido significativamente mais intensos e extensos do que a guerra de 12 dias entre os dois países em junho passado.
Outra série de reservistas israelenses seria convocada nas próximas 48 horas, afirmou a fonte, acrescentando que Israel conseguiu trazer o máximo possível de armas nas últimas semanas, o que significa que não há escassez de capacidades defensivas e ofensivas.