Comunidade internacional condena ameaças iranianas contra diretor da AIEA
O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, declarou nesta segunda-feira (30) que Teerã rompeu a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) devido ao que o mandatário do Irã chamou de "conduta destrutiva" do chefe da AIEA, Rafael Grossi, que chegou a ser ameaçado de morte pela imprensa local. Vários países condenaram a postura iraniana.
O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, declarou nesta segunda-feira (30) que Teerã rompeu a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) devido ao que o mandatário do Irã chamou de "conduta destrutiva" do chefe da AIEA, Rafael Grossi, que chegou a ser ameaçado de morte pela imprensa local. Vários países condenaram a postura iraniana.
Na noite de domingo (29), Pezeshkian conversou pelo telefone com o presidente da França, Emmanuel Macron. "A iniciativa tomada pelos parlamentares é uma resposta natural à conduta injustificada e destrutiva do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica", afirmou o presidente do Irã.
No último dia 25 de junho, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, colocou em dúvida a credibilidade da AIEA depois dos ataques americanos às instalações nucleares do Irã. Na ocasião, Ghalibaf disse que suspenderia a cooperação iraniana com a agência ligada à ONU. No mesmo dia, o Parlamento aprovou a suspensão da cooperação com a AIEA.
Ameaça de morte
O jornal iraniano ultraconservador Kayhan publicou um editorial pedindo a condenação à morte do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, "caso volte ao país por espionagem a favor de Israel". O jornal, que reflete a linha de pensamento do Líder Supremo da Revolução Islâmica, Ali Khamenei, acusou Grossi de supostas ligações com Mossad, a agência de inteligência israelense.
A França, o Reino Unido e a Alemanha condenaram as ameaças contra o diretor-geral da AIEA. Os três países pedem empenho do Irã para garantir a segurança não só de Rafael Grossi, mas dos funcionários da agência da ONU em território iraniano.
"França, Alemanha e Reino Unido condenam as ameaças contra o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, e reiteram total apoio à agência e ao diretor-geral no cumprimento de seu mandato", disse o comunicado divulgado conjuntamente pelos Ministérios das Relações Exteriores dos três países.
"Instamos as autoridades iranianas a se absterem de quaisquer outras medidas que levem ao término da cooperação com a AIEA. Pedimos ao Irã a retomada imediata da cooperação plena, em conformidade com suas obrigações legais, e a tomar todas as medidas para garantir a segurança dos funcionários da AIEA", afirmou o comunicado.
Nos Estados Unidos, o secretário de Estado, Marco Rubio, escreveu na rede social X que "Apoiamos os esforços cruciais de verificação e monitoramento da AIEA no Irã". Na mensagem, o chefe da diplomacia norte-americana pede ao Irã que "garanta a segurança do pessoal da organização".
"Grossi não é bem-vindo no Irã"
Embora nenhum líder político iraniano tenha ameaçado publicamente Rafael Grossi, muitos questionaram a imparcialidade do diretor da AIEA, como o Ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, que afirmou que Grossi não era bem-vindo no Irã.
"Narrativas enganosas têm consequências desastrosas", disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano na semana passada.
Teerã declarou nesta segunda-feira que não poderia manter sua cooperação habitual com a agência da ONU, alegando que a segurança dos inspetores da AIEA não poderia ser garantida, poucos dias após instalações nucleares terem sido atingidas por ataques israelenses e americanos.
"Eles esperam que garantamos a segurança dos inspetores da agência, mas as instalações do programa nuclear pacífico do Irã foram atacadas há poucos dias" argumentou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei.
A guerra
Israel lançou uma ofensiva aérea contra o Irã em 13 de junho. O motivo alegado foi tentar impedir que o Irã construísse uma bomba atômica.
Dezenas de áreas militares e instalações nucleares foram visadas. Os ataques mataram funcionários do governo iraniano e cientistas nucleares.
O Irã respondeu com ataques de mísseis e drones contra Israel, matando 28 pessoas, segundo autoridades israelenses. Um cessar-fogo iniciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou em vigor no dia 24 de junho.
A agência de notícias oficial iraniana IRNA informou nesta segunda-feira que pelo menos 935 pessoas foram mortas no Irã durante a guerra com Israel.
A nota detalha que 132 mulheres e 38 crianças estão entre os 935 mortos.