Trump trabalha em paralelo com María Corina e Delcy para garantir interesses americanos na Venezuela
A reunião com Machado na Casa Branca representou um passo decisivo na transição proposta pelo governo americano após a captura de Nicolás Maduro, segundo analistas políticos venezuelanos.
O primeiro encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, líder da oposição venezuelana, na Casa Branca, em 15 de janeiro, representa um passo decisivo na transição proposta pelo governo americano após a captura de Nicolás Maduro, segundo analistas políticos venezuelanos.
O encontro, segundo o consultor político Luis Toty Medina, reorganiza o jogo estratégico de Trump em dois tabuleiros que ele move simultaneamente, com María Corina e Delcy.
A reunião ocorre em uma fase crucial da geopolítica, em que Trump assume o processo sob uma lógica clássica de poder e com pragmatismo cru.
"Ele busca estabilizar o terreno, neutralizar as ameaças e garantir interesses estratégicos. E depois as reformas políticas, se possível, mas nessa ordem", afirma Medina. "Parece uma contradição, mas não é."
O cenário após a visita privada de mais de duas horas no Salão Oval, seguida de um almoço com altos representantes do governo de Washington e senadores, a líder opositora falou em uma transição rápida para a democracia. María Corina, no entanto, foi recebida com discrição.
"Eu disse a ele que estamos prontos para avançar bem e rapidamente para alcançar uma transição para a democracia e uma relação de longo prazo entre os Estados Unidos e a Venezuela", disse ela sobre a reunião, testemunhada por uma fotografia da entrega de sua medalha do Prêmio Nobel da Paz a Trump, que tem sido questionada na Noruega.
"Foi uma grande honra receber María Corina Machado, da Venezuela, hoje. Ela é uma mulher maravilhosa", disse Trump, que também tinha previsto receber o embaixador Félix Plasencia, enviado diplomático e próximo de Rodríguez, mas até sexta-feira não haviam sido divulgados detalhes da reunião.
"O encontro não significa que Washington tenha abraçado a causa democrática como prioridade, mas que reconhece Machado como um ator legítimo, mas não o principal neste momento em que o processo é marcado por uma lógica de estabilidade", afirmou Medina em sua análise.
À luz dos fatos, Medina insistiu que o encontro desta quinta-feira em Washington tem dois significados para a oposição democrática do país sul-americano.
"Primeiro, fortalece a legitimidade internacional de Machado como liderança democrática e líder do processo da oposição e, ao mesmo tempo, confirma que a transição venezuelana está sendo conduzida a partir de Washington, a partir de uma lógica pragmática, onde o poder real não é definido por simpatias ou por coordenadas ético-morais, mas pela praticidade e governabilidade, e por quem tem o controle territorial", afirmou.
E ampliou o impacto da reunião Trump-Machado em termos políticos. "A oposição fica em uma posição ambivalente, fortalecida simbolicamente porque Machado volta a se colocar como figura principal do bloco democrático e como sua referência internacional mais importante, mas, ao mesmo tempo, fica limitada operacionalmente porque Trump deixou claro que sua prioridade imediata não é empoderar a oposição, mas garantir uma transição estável com interlocutores que controlem o aparato do Estado e aí Delcy Rodríguez aparece como uma peça funcional".