Com Teerã vazia, regime iraniano intensifica repressão contra oposição
Na noite de terça-feira, 10 de março, o regime iraniano lançou novos ataques contra instalações militares americanas no Golfo, enquanto os Estados Unidos e Israel bombardeavam o Irã. Em Teerã, quase metade da população fugiu, e os moradores restantes estão se organizando como podem. O regime continua a reprimir todas as formas de oposição.
Siavosh Ghazi, correspondente da RFI em Teerã
No 12º dia da guerra, Teerã é uma cidade deserta, abandonada por sua população há vários dias. Pelo menos 4 milhões dos 8 a 9 milhões de habitantes da cidade partiram, buscando refúgio nas províncias, em pequenas vilas e cidades que não foram atingidas ou no Mar Cáspio. As ruas estão completamente vazias. Na capital iraniana, todas as lojas permanecem fechadas, com exceção de supermercados e padarias, que estão abertos, embora alguns produtos estejam em falta nas prateleiras devido à interrupção da distribuição.
Outro problema para aqueles que permaneceram em Teerã, apesar dos intensos ataques aéreos israelenses e americanos, que têm atingido cada vez mais os bairros residenciais da cidade e causado muitas vítimas civis, é a escassez de gasolina.
Isso se torna cada vez mais evidente após os ataques israelenses a dois depósitos de combustível, que foram atingidos e destruídos. No posto de gasolina, só é possível abastecer cinco litros de gasolina por vez. A vida está se tornando cada vez mais difícil para os moradores que decidiram ficar.
Oposição iraniana é alvo do regime
O regime iraniano está endurecendo ainda mais sua posição e atacando qualquer tentativa de oposição, após o presidente americano e o primeiro-ministro israelense convocarem a população a irem às ruas. Benjamin Netanyahu afirmou em uma mensagem de vídeo que Israel estava atacando instalações do regime iraniano para permitir que as pessoas fossem às ruas para derrubar o governo.
Em um pronunciamento na televisão estatal, o chefe da polícia nacional declarou que, se houvesse qualquer tentativa de manifestação, os participantes seriam considerados agentes do inimigo e tratados como tal.
Além disso, foi anunciado, durante a mesma transmissão, que cerca de 80 pessoas foram presas no Irã. Esses indivíduos haviam enviado vídeos mostrando locais e alvos atingidos pelos militares israelenses ou americanos. Esses vídeos foram enviados para canais de televisão em língua persa no exterior, incluindo canais da oposição, como a Iran International, e também o serviço persa da BBC.
O procurador-geral do país declarou que os bens de todos os iranianos na diáspora que se manifestaram nos últimos dias em apoio aos bombardeios e ataques aéreos israelenses ou americanos seriam confiscados. No Irã, foi criado o site "Comitê da Vingança", em que são exibidas fotos dos manifestantes, identificados por seus números de identificação nacional. Seus bens serão confiscados e eles não poderão mais retornar ao Irã.
Impacto ambiental e sanitário da poluição por hidrocarbonetos
Após os ataques israelenses a instalações petrolíferas no Irã, surgiu também a questão do impacto ambiental e na saúde por conta da poluição por hidrocarbonetos. Grandes incêndios liberaram poluentes tóxicos sobre Teerã. Moradores descreveram um ar irrespirável e uma estranha "chuva negra" que cobriu a cidade. Embora a nuvem tóxica pareça ter se dissipado dos céus de Teerã, este é um grande problema ecológico que persistirá.
Por trás desses incêndios em instalações petrolíferas, há, antes de tudo, a poluição do ar causada por gases tóxicos. As combustões permitem a formação massiva de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, compostos extremamente cancerígenos. São partículas finas que podem atingir diretamente as vias respiratórias dos habitantes de Teerã.
Além disso, há a poluição do solo. "Já ocorre nas proximidades, com um impacto importante sobre os organismos vivos. Toda a matéria vegetal e orgânica sofrerá muito com a presença dessas substâncias no solo", explica Pierre Faure-Catteloin, diretor de pesquisa do CNRS (Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica) no Laboratório Interdisciplinar de Ambientes Continentais. "Então, a longo prazo, os organismos consumirão parte desse petróleo. Há um componente refratário que será consumido no solo e poderá permanecer lá por muito tempo."
Os compostos químicos podem, então, contaminar as águas subterrâneas e os recursos hídricos. "Esses produtos costumam ser menos densos que a água, então se acumulam na superfície do lençol freático. Teremos o que chamamos de 'vazamento de petróleo subterrâneo'. Também teremos grandes quantidades de hidrocarbonetos no solo, que não conseguimos ver. A propagação do problema talvez seja muito mais importante através da qualidade da água do que propriamente pelo solo".
Com chuvas intensas, essa poluição poderá ser levada para o mar, e as áreas inicialmente afetadas permanecerão poluídas por muito tempo.