Celebrações no Japão lembram 10 anos da tragédia de Fukushima
Terremoto, tsunami e acidente nuclear deixaram 18 mil vítimas
Há exatos 10 anos, o Japão vivia sua maior tragédia com um desastre triplo: um terremoto de 9 graus na escala Richter, um tsunami gigantesco e um acidente nuclear na usina de Fukushima causaram mais de 18 mil mortes - e continuam tendo marcas pesadas na vida dos japoneses da região.
Nesta quinta-feira (11), um evento em homenagem às vítimas foi realizado pontualmente às 14h46 (hora local) com um minuto de silêncio.
Apesar de reduzido por conta das restrições sanitárias da Covid-19, o premiê Yoshihide Suga divulgou uma mensagem de esperança no Teatro Nacional de Tóquio, em cerimônia que contou com a presença do imperador Naruhito.
Na região de Tohoku, local dos principais eventos catastróficos daquele dia, as sirenes foram ativadas por um minuto para relembrar as vítimas.
O primeiro evento daquele dia foi o terremoto de 9 graus de magnitude, o maior já registrado em território japonês, às 14h46 de uma sexta-feira. O epicentro ocorreu a cerca de 130 quilômetros de distância da cidade de Sendai, no Oceano Pacífico, a quase 25km de profundidade. Sendai é a capital de Tohoku.
O tremor principal durou incríveis seis minutos e acabou sendo forte demais até mesmo para o Japão, um país que convive com esse tipo de tragédia e que tem rígidas regras para construções para sair de tremores com danos mínimos.
A força do tremor foi tamanha que, até hoje, é o maior deslocamento de terras já registrado. Com isso, o mar foi forçado para cima e provocou o tsunami que chegou a atingir 15 metros de altura próximo à costa.
O alerta para tsunami foi dado rapidamente, cerca de três minutos após o terremoto, e os japoneses começaram a usar as regras de evacuação. Porém, diversos episódios relataram confusão na aplicação das medidas, o que ajudou a causar o elevado número de mortes. Dos cerca de 18 mil vítimas, quase 16 mil morreram em consequência do tsunami.
Com duas tragédias em andamento, foram mais de 100 réplicas do terremoto, o desastre nuclear começou a ocorrer cerca de quatro horas após o primeiro tremor. A usina de Fukushima foi atingida por ondas de 15 metros de altura - ela havia sido construída a 10 metros acima do nível do mar. Danos também foram registrados em Daichi.
Além disso, o abalo danificou seis linhas de transmissão da usina nuclear e explosões de reatores se seguiram nos dias seguintes, provocando vazamento de radiação em altíssimo nível.
Até hoje, a área próxima à usina não tem acesso liberado.
Os problemas provocaram a evacuação de cerca de 160 mil pessoas que moravam em diversas cidades próximas. A questão do que fazer com a água e o solo contaminado é ainda um problema dos dias atuais.
Nesta quarta-feira (10), o Ministério do Ambiente do Japão anunciou que cerca de 75% do solo contaminado foi transportado para uma área especialmente preparada para isso. São cerca de 14 milhões de metros cúbicos de materiais, entre terra e plantas.
Os 25% restantes ficam na área da usina central de Daichi, que ainda não pode ser acessada por especialistas considerarem que o nível de radiação ainda é muito alto para os humanos.
'Mortes solitárias' -
Além das vítimas diretas das tragédias, continuou a crescer silenciosamente, nos últimos anos, as chamadas "mortes solitárias": as vítimas das consequências da catástrofe que sofreram com doenças psicológicas, como no caso da depressão.
Segundo um relatório da Agência da Polícia Nacional do Japão, ao menos 614 pessoas morreram nos últimos 10 anos por terem adoecido por diversos motivos, como a angústia da solidão por ter perdidos familiares e amigos, o afastamento de suas cidades de origem e a falta de pontos de referência, pois o passado foi completamente destruído.
Muitas das vítimas moravam em alojamentos temporários montados pelos governos locais e não tinham mais perspectivas de construir uma nova vida. O documento aponta que a maior parte morreu de doenças crônicas, mas várias cometeram suicídios.
Os cidadãos com mais de 65 anos de idade representam 68,4% dos casos totais de "mortes solitárias", e mais da metade faleceu nos últimos quatro anos. De 2017 em diante, a soma total de pessoas que morreram nos alojamentos foi maior do que nos seis primeiros anos.
Por conta disso, as autoridades estão acelerando a entrega de novas casas para aqueles que não têm meios para construir suas próprias residências ou não podem mais voltar para suas cidades de origem. .