Cardeal de Munique autoriza bênção de casais homossexuais
Apesar de comum em várias dioceses alemãs e de uma diretriz favorável da Conferência dos Bispos Alemães, prática é rejeitada e fortemente criticada pelos católicos conservadores.A Arquidiocese de Munique e Freising confirmou nesta terça-feira (21/04) que o arcebispo Reinhard Marx permitiu a bênção de casais homossexuais. Marx recomendou ao clero da arquidiocese que implemente uma diretriz correspondente emitida pela Conferência dos Bispos Alemães (DBK). Ele se tornou assim o primeiro cardeal alemão a fazê-lo.
A bênção de casais homossexuais é uma prática comum em diversas dioceses alemãs, mas não tinha respaldo legal até cerca de um ano atrás, quando a DBK e o Comitê Central dos Católicos Alemães publicaram diretrizes sobre como casais que não podem se casar segundo o direito canônico católico podem, mesmo assim, receber uma bênção da igreja. Isso inclui tanto os casais homossexuais como aqueles que se uniram após um divórcio. O pré-requisito é que o bispo implemente essas diretrizes, já que cada bispo governa sua diocese de forma bastante independente.
Essas bênçãos são, porém, controversas no catolicismo. Embora o papa Francisco em princípio as tenha permitido, em 2023, o Vaticano estabeleceu requisitos rigorosos: elas devem ser muito breves e não podem ocorrer durante uma celebração religiosa, ou seja, não podem ter uma forma litúrgica.
A regulamentação alemã é bem menos rígida, o que a torna alvo de fortes críticas dos setores conservadores. Por exemplo, o cardeal de Colônia, Rainer Maria Woelki, rejeita a implementação das diretrizes, e as bênçãos de casais homossexuais continuam proibidas na sua arquidiocese.
É possível que muitos bispos alemães que não ainda implementaram as novas diretrizes estejam esperando uma posição do papa Leão 14 sobre o assunto. Ele pode ter grande popularidade entre os católicos progressistas devido às suas críticas ao presidente dos EUA, Donald Trump, mas não há sinais de que pretenda alterar as posições da Igreja Católica sobre moralidade sexual. Numa entrevista concedida após sua eleição, o novo papa afirmou que qualquer tema relacionado a questões LGBTQ+ é "altamente polarizador".
as/cn (AFP, DPA)
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