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Câmara da Itália aprova texto que muda regras eleitorais a 1 ano de voto

Governo diz que texto dará 'estabilidade'; oposição acusa Meloni de temer derrota

16 jul 2026 - 09h11
(atualizado às 09h37)
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A Câmara dos Deputados da Itália aprovou nesta quinta-feira (16) um projeto de lei proposto pelo governo da premiê Giorgia Meloni para alterar o sistema eleitoral do país, faltando cerca de um ano para as próximas eleições legislativas.

Oposição protesta contra Meloni em votação de reforma eleitoral
Oposição protesta contra Meloni em votação de reforma eleitoral
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O texto recebeu 217 votos a favor e 152 contra, além de duas abstenções, e segue agora para o Senado, em uma sessão feita com escrutínio secreto e marcada por protestos da oposição, que acusa a primeira-ministra de mudar as regras do jogo para se beneficiar nas urnas.

O atual sistema eleitoral elege 63% dos deputados e senadores através do voto proporcional, ou seja, com o número de assentos no Parlamento distribuídos de acordo com o percentual obtido por cada partido ou coligação. Já os 37% restantes são escolhidos em uma espécie de voto distrital, com a divisão da Itália em diversos colégios majoritários, nos quais é eleito apenas o candidato mais votado em cada um.

Esse modelo permitiu que a coalizão de Meloni, com 43,79% dos votos para a Câmara e 44,02% para o Senado, alcançasse maioria confortável nas duas casas nas eleições de 2022, garantindo uma estabilidade rara para a premiê, cujo governo já é o segundo mais longevo da Itália republicana.

Naquela ocasião, no entanto, a oposição disputou o pleito dividida, o que favoreceu a coligação de direita nos colégios distritais, cenário que não deve se repetir no ano que vem, com a expectativa de uma frente ampla para desbancar Meloni.

O texto aprovado nesta quinta pelos deputados acaba com o componente majoritário do sistema eleitoral, criando um modelo 100% proporcional, porém com um prêmio de "governabilidade" de 70 assentos na Câmara e 35 no Senado para a coalizão que atingir 42% dos votos.

"Vocês querem mudar a lei eleitoral porque têm medo de perder", acusou a secretária do centro-esquerdista Partido Democrático (PD), Elly Schlein, principal nome da oposição na Itália. "É uma lei eleitoral vergonhosa, com um prêmio de maioria inconstitucional", reforçou o ex-premiê Giuseppe Conte, líder do Movimento 5 Estrelas (M5S).

Deputados da oposição também exibiram cartazes chamando a reforma de "fraude" e cobrando a renúncia do governo, que, mesmo com maioria confortável no Parlamento, foi derrotado na votação de uma emenda que daria aos eleitores o direito de expressar preferências nominais por candidatos à Câmara e ao Senado ? o texto aprovado prevê listas fechadas, ou seja, com a ordem dos postulantes definida previamente pelos próprios partidos.

A gestão Meloni, no entanto, afirma que o projeto de lei é um "primeiro passo" para garantir "governos estáveis e capazes de levar até o fim o mandato recebido dos eleitores". "O objetivo é claro: fazer com que quem vence as eleições possa governar por toda a legislatura", disse o ministro de Relações Europeias da Itália, Tommaso Foti.

Ao todo, o país já teve 68 governos e 31 premiês em cerca de 80 anos de história republicana.

A reforma também comporta mudanças no sistema eleitoral para os italianos no exterior, que hoje elegem oito deputados e quatro senadores em quatro circunscrições: Europa; América do Sul; América do Norte e Central; e África, Ásia, Oceania e Antártida.

O texto reduz as zonas eleitorais para duas, no caso da Câmara (uma para a Europa e outra para o resto do mundo), e para uma única global, no caso do Senado.

Ansa - Brasil
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